
O custo da cesta básica em Porto Alegre caiu 5,36% em julho na comparação com junho e fechou o mês em R$ 841,94, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos divulgado nesta segunda-feira, 10.
Apesar do recuo, Porto Alegre segue como a quinta cesta mais cara entre as 27 capitais pesquisadas, atrás de São Paulo (R$ 915,01), Cuiabá (R$ 881,27), Florianópolis (R$ 860,73) e Rio de Janeiro (R$ 855,37). No acumulado de 2026, entre dezembro do ano passado e julho, o conjunto de alimentos ficou 7,36% mais caro em Porto Alegre. Na comparação com julho de 2025, a alta é de 1,39%.
O estudo mostra ainda que um trabalhador remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 114 horas e 16 minutos para comprar a cesta em julho, abaixo das 120 horas e 44 minutos de junho. No mesmo mês de 2025, quando o piso era de R$ 1.518, eram necessárias 120 horas e 21 minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% para a Previdência Social, a compra da cesta comprometeu 56,15% da renda do trabalhador porto-alegrense em julho. Em junho, o percentual era de 59,33% e, em julho do ano passado, de 59,14%.
Segundo o Dieese, o salário mínimo necessário para suprir as despesas básicas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.687,01 em julho, o equivalente a 4,74 vezes o piso nacional vigente. Em junho, o valor estimado era de R$ 8.110,92, cinco vezes o mínimo.
Produtos em queda
Entre os 13 itens que compõem o conjunto de alimentos em Porto Alegre, seis ficaram mais baratos em julho. As maiores quedas foram do tomate (-37,81%) e da batata (-19,80%), seguidos por café em pó (-2,62%), açúcar refinado (-1,48%), arroz agulhinha (-1,41%) e farinha de trigo (-0,25%). A carne bovina de primeira manteve o preço estável.
Segundo o Dieese, a queda da batata é explicada pela maior oferta do tubérculo, resultado da intensificação da safra de inverno e da melhora na produtividade. No caso do tomate, a produtividade elevada, as regiões em plena safra e temperaturas diurnas mais altas favoreceram a maturação dos frutos e ampliaram a oferta.
Outros seis produtos ficaram mais caros: banana (5,03%), feijão preto (4,41%), leite integral (1,62%), óleo de soja (1,57%), pão francês (0,69%) e manteiga (0,21%). O feijão preto, pesquisado nas capitais do Sul, no Rio de Janeiro e em Vitória, subiu em todas as praças onde é coletado, em razão da oferta restrita provocada pelas perdas na segunda safra da região Sul. Já o leite integral foi pressionado pela desaceleração da produção de matéria-prima, efeito das baixas temperaturas no campo.
Cenário nacional
Em julho, o custo da cesta básica caiu em 26 das 27 capitais brasileiras. As quedas mais expressivas ocorreram em Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%) e Palmas (-7,38%). São Luís foi a única cidade com alta, de 0,30%.
Ainda assim, todas as 27 capitais acumulam elevação no ano, com variações que vão de 4,28%, em Campo Grande, a 15,68%, em Porto Velho. Na comparação com julho de 2025, o custo subiu em 22 capitais e caiu em cinco.
Fonte: Correio do Povo


