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Cármen Lúcia diz que Brasil vive momento de ‘descrença’ e ‘desânimo’ com gestão pública

Nesta quarta-feira, Cármen Lúcia participou da abertura de um encontro sobre controle interno Foto:
Rosinei Coutinho/ STF

A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta quarta-feira (16), durante o XXII Encontro Nacional de Controle Interno, que o Brasil passa por um momento de “descrença” e “desânimo” com a administração pública.

“A democracia vive da confiança que o cidadão e a cidadã têm nas suas instituições. Digo isso com muito lamento pelos momentos que estamos passando de descrença, de desânimo com a administração pública. Acho que as senhoras e os senhores do controle podem ajudar enormemente impondo a sua atividade, não como uma atividade-meio que não deva ser levada em conta como prioridade. Muito pelo contrário”, declarou.

Segundo a a magistrada, é dever dos servidores públicos garantir a confiança necessária para que a população acredite no país e na democracia.

“[…] A busca do acerto é uma imposição, um dever de todos nós, servidores, para garantir essa confiança que faz com que cada pessoa possa acreditar mais no país, na democracia e, principalmente, saber que temos o dever de prestar sempre o melhor serviço”, destacou.

Pedido de desculpas

A declaração reforça o tom adotado por Cármen Lúcia na terça-feira (15), durante sessão no STF sobre a validade do relatório apresentado pelo ministro André Mendonça. Na ocasião, a ministra afirmou estar em estado de “profunda consternação e tristeza” e defendeu que os recentes embates no tribunal provocaram um “mal-estar cívico” na sociedade.

“Hoje, um dos colegas me perguntou se eu estava contrariada. Eu disse que estou triste, não apenas pelo tema que nos traz aqui, mas porque este Supremo Tribunal Federal — guardião da Constituição por determinação nela expressa — provocou um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nesses últimos dias”, disse.

Ao final, a magistrada chegou a pedir desculpas à população e lamentou não ter conseguido ajudar a “acalmar as coisas”.

“Peço desculpas ao povo brasileiro por talvez terem esperado de mim uma postura diferente. Mas acho que todos nós aqui queríamos a mesma coisa: tentar resolver. As questões não foram resolvidas e acabaram crescendo demais. Portanto, peço desculpas ao presidente do Supremo, a todos os colegas e ao povo brasileiro, porque realmente gostaria de ter sido melhor e de ter ajudado a acalmar a situação, mas não consegui”, desabafou.

Fonte: R7

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