
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou no final da tarde desta quarta-feira, 16, a redução da taxa de juros (taxa Selic) em 0,25 ponto percentual, saindo dos 14% para 13,75% ao ano, o último recuo antes do resultado das eleições e de forma unânime. O resultado já era projetado pelo mercado financeiro levando em consideração a atual desaceleração econômica e as preocupações com os preços.
“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”, diz o Copom.
A escalada da guerra no Irã despertou novamente as pressões sobre os custos de combustível em todo o mundo. Além disso, as preocupações com o fornecimento de grãos no Mar Negro como resultado da guerra da Rússia na Ucrânia impulsionaram recentemente os preços do trigo. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirma o Comitê.
Em seu comunicado, o Copom ressalta que segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Sobre os próximos encontros, o Comitê não garantiu reduções automáticas e condicionou a extensão final desta temporada de reduções às informações que chegarem sobre a alta de preços. “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado.
ESTADOS UNIDOS
O Federal Reserve (o banco central americano) anunciou, nesta quarta-feira (16), a elevação do patamar da taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual (p.p.) na faixa entre 3,75% e 4%. A decisão unânime, é a primeira alta das taxas de juros nos EUA desde 2023, tendo como justificativa se a inflação poderá continuar no patamar de agosto, quando o indicador chegou a 3,4% no acumulado de 12 meses, com alta mensal de 0,4%. O Fed mantinha sua taxa de referência na faixa de 3,5% a 3,75% desde dezembro, com a maioria de seus dirigentes considerando que o aumento da inflação havia sido freado por fatores temporários.
Segundo o analista Bruno Corano, economista da Corano Capital, os dados já indicavam a elevação. “É importante entender que a inflação pode ser pressionada por diferentes motivações. Nesses últimos meses, o que a gente assistiu foi que, antes das tarifas do Trump e, logicamente, antes do conflito com o Irã, nós estávamos rumo aos 2%. As coisas iam muito bem”, diz.
Ou seja, para o analista, o remédio não foi apropriado, e demora para fazer efeito. “É como se eu quisesse matar uma mosca dentro de casa e, em vez de pegar aquela redinha ou dar um tapa na mosca, desse um tiro de canhão. Eu vou matar a mosca? Vou. Mas também vou derrubar a parede, o telhado e destruir parte da casa. Então, é uma medida desproporcional”, diz Corano que acredita que já se tem como certo mais um aumento ainda este ano, provavelmente na próxima reunião, e o mercado vai ter que se adaptar.
Fonte: Almir Freitas

