
A elevada carga tributária assumiu o posto de principal problema enfrentado pela indústria da construção, mostra a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira de Indústria da Construção (CBIC), nesta quarta-feira (28). Entre o terceiro e o quarto trimestres do ano passado, o entrave saltou cinco pontos percentuais, de 32,2% para 37,2%, ultrapassando as taxas de juros elevadas que passaram à segunda maior preocupação dos industriais da construção (32,1%).
A falta ou alto custo de trabalhador qualificado e a falta ou alto custo de mão de obra não qualificada aparecem empatados na sequência do ranking dos principais problemas; ambas foram assinaladas por 28,5% dos empresários da construção. O índice de facilidade de acesso ao crédito atingiu 39 pontos no quarto trimestre do ano, ainda bem abaixo da linha de 50 pontos, indicando que os empresários da construção continuam sentindo bastante dificuldade para obter financiamento.
“O ciclo de atividade da indústria da construção é longo e o setor tem grande necessidade de crédito para fazer os empreendimentos. À medida em que o acesso ao crédito está difícil e caro, por conta das taxas de juros elevadas, o setor é muito afetado”, explica Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.
Já o índice de satisfação com o lucro operacional recuou 0,3 ponto, caindo para 45,1 pontos. O patamar revela que os empresários estão ainda mais insatisfeitos com suas margens de lucro. A pesquisa mostra que o índice de satisfação com a situação financeira avançou 0,8 ponto e chegou aos 49,5 pontos. O indicador se aproximou da linha de 50 pontos. Isso sugere que diminuiu a insatisfação dos industriais da construção com o caixa das próprias empresas.
O índice de evolução do preço médio de insumos e matérias-primas permaneceu em 61,6 pontos. O resultado demonstra que o preço desses itens continua crescendo no mesmo ritmo que no trimestre anterior.
DESACELERAÇÃO
Em dezembro de 2025, o índice que mede a evolução do nível de atividade da indústria da construção ficou em 44,7 pontos, abaixo dos 48,2 pontos registrados em novembro. A retração foi maior que a usual para o período, o que fez o índice cair ao menor patamar para o mês desde 2018.
Com a atividade mais fraca, a Utilização da Capacidade Operacional se manteve estável em 67%, mesmo nível observado em dezembro de 2024. O índice de evolução do número de empregados também encolheu no último mês do ano: queda de 1,2 ponto, para 45,7 pontos. Ainda assim, o indicador ficou acima da média histórica para o mês (43,8 pontos).
Apesar da ligeira alta de 0,2 ponto em janeiro de 2026, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Indústria da Construção registrou 48,6 pontos. Por estar abaixo dos 50 pontos, aponta empresários sem confiança. O patamar do ICEI da Construção se deve, sobretudo, à avaliação negativa dos empresários sobre as condições atuais das empresas e da economia, enquanto as expectativas deles para os próximos meses seguem positivas.
Todos os índices de expectativas aumentaram no primeiro mês do ano, reforçando o otimismo observado em dezembro do ano passado.
- Índice de expectativa de novos empreendimentos e serviços (+1,8 ponto, para 52,9 pontos);
- Índice de expectativa de número de empregados (+1,8 ponto, para 52,8 pontos);
- Índice de expectativa de nível de atividade (+1,1 ponto, para 52,8 pontos);
- Índice de expectativa de compras de matérias-primas (+0,8 ponto, para 52,5 pontos).
Com isso, os empresários acreditam que o número de novos empreendimentos e serviços, de empregados, de nível de atividade e de compras de matérias-primas vão aumentar nos próximos seis meses.
“O lançamento de programas importantes para o setor, como o novo modelo de crédito imobiliário e a disponibilização de financiamentos para a reforma de casas de pessoas de baixa renda, além da expectativa de redução da taxa Selic no futuro próximo, ajudam a explicar as expectativas positivas da construção”, pontua Marcelo Azevedo.
O otimismo para os próximos meses se reflete na intenção de investimentos do setor, que subiu 1,3 ponto em janeiro deste ano, para 44,6 pontos. Foi a terceira alta consecutiva do indicador, que, contudo, ainda continua abaixo do patamar observado em janeiro de 2025 (45,1 pontos).