Mais do que gols, Endrick oferece aquilo que sempre marcou os grandes atacantes brasileiros em Copas do Mundo: personalidade.

A corrida pela função principal de ataque no Brasil está aberta. O atacante do Manchester United parece estar mais à frente nesta disputa: Matheus Cunha. O porte físico e a quantidade de gols marcados na Premier League também credenciam Igor Thiago. Para além das improvisações, a outra opção seria o mais guri e mais talentoso dos três: Endrick.
Desde o início da carreira, ele assombrou pela capacidade física, posicionamento, faro de artilheiro e, principalmente, por aquilo que elegantemente chamamos de personalidade. No fundo, sabemos que se trata da necessária “marra”, marca registrada dos centroavantes da Seleção Brasileira em Copas do Mundo.
A pior das escolhas é a que Carlo Ancelotti fará. Cunha, para além de ostentar a camisa 9, não joga exatamente assim na Inglaterra. Tem atuado mais pelo corredor esquerdo. Com Ancelotti, já apareceu nas quatro funções de frente, sempre sem empolgar, sendo apenas um cumpridor. E isso é pouco para uma Copa do Mundo pelo Brasil.
Tem a opção mais “clássica”. Vice-artilheiro do Campeonato Inglês, Igor Thiago é o que chamamos de centroavante tradicional. Fazer 22 gols pelo Brentford não é para qualquer um. Ele tem ímpeto, força, entrega, tamanho e coloca para dentro. Infelizmente sem aquela chama e qualidade que os atacantes brasileiros precisam ter em um Mundial.
Com 17 jogos pela Seleção, Endrick tem quatro gols e uma assistência. Precisa de apenas 99 minutos para marcar com o Brasil. E, neste contexto, não fez seus gols contra galinhas mortas ou em momentos tranquilos das partidas. Estreou dando a vitória por 1 a 0 contra a Inglaterra, em Wembley. Depois, empatou um jogo encardido contra a poderosa — e favorita — Espanha, simplesmente no Santiago Bernabéu. Os outros dois? O da vitória sobre o México por 3 a 2 e, por último, o que garantiu a vitória contra o Egito no nosso último teste.
Evitemos as comparações com nossos grandes artilheiros do passado. Eles não jogam mais e realmente foram extraordinários. Ademir de Menezes, Vavá, Careca, Romário e Ronaldo precisam ser honrados. Só que eles passaram o bastão.
Chegou a hora deste piá marrento, fortíssimo física e mentalmente.
Bota o Endrick, Carletto!