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Barragem de São Marcos está em situação mais segura, mas segue em emergência

Foto: Mauro Schaefer / Correio do Povo

A Barragem Arroio São Luiz, em São Marcos, na Serra Gaúcha, permanece em situação de emergência nesta sexta-feira, apesar da melhora nas condições de segurança da estrutura. Os 150 moradores evacuados permanecem fora de casa, a escola da área de risco segue interditada e trechos da estrada continuam bloqueados.

A Corsan tem expectativa de concluir ainda nesta sexta-feira o rebaixamento do reservatório e o tamponamento das fissuras. Após essas etapas, será feita uma nova avaliação técnica para verificar se a barragem poderá deixar a situação de emergência, o que permitirá o retorno dos moradores.

Em coletiva realizada nesta tarde, o comitê de crise coordenado pela Defesa Civil estadual informou que a mudança para o estado de alerta, divulgada anteriormente como uma possibilidade para as próximas horas, ainda não se concretizou. Segundo o titular da 9ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil Defesa Civil estadual, Marcelo Almeida de Souza, o nível do reservatório precisa chegar a 3,40 metros e o tamponamento das fissuras deve ser concluído com eficiência. Também é necessária a avaliação dos pontos de monitoramento e controle da estrutura. Nesta sexta-feira, o nível estava em 3,49 metros, a 9 centímetros da cota estabelecida.

Maraísa Mendonça, diretora-executiva da Corsan regional Norte e Serra, afirmou que a barragem está em uma condição mais segura, mas que a alteração do status depende do cumprimento dos protocolos técnicos.

“As condições hoje são muito mais seguras. Porém, o que a gente precisa neste momento é atender a tudo que foi traçado, para ter toda a segurança técnica para aí sim alterar o status”, afirmou.

Os mergulhadores retomaram nesta tarde o trabalho de vedação dos pontos de fissura pela parte interna da estrutura, em uma intervenção subaquática. A previsão da Corsan é concluir o serviço ainda nesta sexta-feira, mas a empresa ressalta que o prazo depende das condições de trabalho. Depois, serão avaliados os dados de monitoramento, as imagens e os demais controles de segurança, em uma nova reunião do comitê.

O prefeito de São Marcos, Volmir Rech, afirmou que as intervenções emergenciais serão seguidas por medidas de recuperação da estrutura.

“Agora a gente está atuando imediatamente para a solução disso e aí, em seguida, as obras continuam, os estudos continuam”, disse.

No domingo, às 11h, a medição era de 4,65 metros, após São Marcos registrar 174 milímetros de chuva em cerca de 12 horas. Desde o início da crise, o nível já baixou cerca de 1 metro, reduzindo também a área que poderia ser atingida em caso de colapso.
Um novo estudo sobre a mancha de inundação, considerando a condição atual da barragem, deverá ser apresentado possivelmente até o fim da tarde.

A operação de retirada de água continua de forma controlada. Segundo a Corsan, uma das bombas enviadas pelo Dmae de Porto Alegre está em funcionamento, mas opera a 30% da capacidade porque uma vazão maior poderia comprometer a segurança da estrutura e do sistema de drenagem. A retirada precisa ser gradual também para preservar o abastecimento de São Marcos, que atende cerca de 22 mil pessoas.

As aulas da Escola Municipal de Ensino Fundamental Antonio Pessini, que fica na área de risco, também permanecem suspensas. Os 220 alunos serão atendidos temporariamente no Colégio Estadual São Marcos.

Segundo o comitê, a Rodovia Padre Pedro Rizzon (VRS 815) segue com cerca de 600 metros bloqueados. O acesso à região é analisado caso a caso, com possibilidade de entradas pontuais acompanhadas por equipes de segurança quando houver necessidade, como para atendimento de propriedades e aviários da área.

O que aconteceu

A situação da Barragem Arroio São Luiz chamou a atenção das autoridades após equipes da Corsan identificarem trincas com vazamento no vertedouro e em partes do contraforte da estrutura. A identificação ocorreu durante vistorias realizadas na quarta-feira, após as chuvas intensas registradas na região.

São Marcos registrou 174 milímetros de precipitação em menos de 24 horas, enquanto a média histórica de todo o mês de setembro é de aproximadamente 163 milímetros. O volume provocou uma elevação significativa do nível do reservatório.

Diante da situação, a Corsan acionou o Plano de Ação de Emergência (PAE), ampliou o monitoramento da estrutura e adotou medidas preventivas para proteger a população das áreas que poderiam ser atingidas em um eventual cenário de emergência.
A resposta é coordenada por uma força-tarefa formada por Corsan/Aegea, Defesa Civil estadual, Prefeitura de São Marcos, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Brigada Militar e Corpo de Bombeiros. Um gabinete local de incidente foi instalado no município.

As equipes permanecem em monitoramento contínuo, com controle de acesso à área da barragem. A orientação é que a população acompanhe as informações divulgadas pelos canais oficiais da Prefeitura e da Defesa Civil.

Fonte: Camila Mendes / Correio do Povo

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