
A expansão da inteligência artificial inaugurou uma nova corrida global por infraestrutura digital e colocou a América Latina no radar dos grandes investimentos em data centers. Mais do que ampliar capacidade computacional, empresas e investidores passaram a avaliar quais mercados oferecem as melhores condições para receber novos empreendimentos, considerando fatores como disponibilidade de energia, conectividade internacional, ambiente regulatório e velocidade de implantação. Esses temas estarão entre os principais debates do Data Center World Brasil 2026.
O Brasil ocupa posição de destaque nesse movimento. Segundo dados do setor apresentados pelo Data Center World Brasil, o país concentra cerca de 75% dos investimentos em data centers na América Latina, impulsionado pela expansão da demanda por serviços digitais, pela matriz elétrica predominantemente renovável e pelo avanço da infraestrutura de conectividade. O cenário reforça o papel estratégico da região na próxima etapa de crescimento da economia digital.
O ritmo dessa expansão também é observado em escala global. Estudo da McKinsey projeta que a capacidade instalada dos data centers deverá praticamente triplicar até 2030, passando de cerca de 82 GW para aproximadamente 220 GW, impulsionada pelo crescimento dos ambientes hyperscale e das aplicações de inteligência artificial generativa. Nesse contexto, países capazes de reunir condições favoráveis para novos projetos tendem a concentrar os próximos ciclos de investimento.
“O crescimento da infraestrutura digital na América Latina não seguirá um modelo único. Cada mercado reúne condições diferentes de energia, conectividade, regulação e demanda, o que influencia diretamente as decisões de arquitetura e implantação dos novos empreendimentos”, afirma Leonardo Benedicto, diretor do Data Center World Brasil.
NOVO CICLO
Esse novo ciclo de investimentos também amplia a competição entre países e regiões interessados em atrair grandes operadores globais. Disponibilidade de energia, conectividade internacional, ambiente regulatório, segurança jurídica e agilidade no licenciamento passaram a influenciar diretamente a escolha de onde serão implantados os próximos data centers de grande porte. Mais do que infraestrutura física, esses fatores passaram a representar vantagens competitivas na disputa por novos empreendimentos.
Essa transformação estará entre os destaques da programação do Data Center World Brasil 2026. No painel de abertura “Infraestrutura digital como ativo geopolítico: competitividade, investimentos, regulação e o que precisa mudar”, especialistas discutirão como políticas públicas, tributação, expansão energética e conectividade influenciam a capacidade dos países de atrair investimentos para infraestrutura digital.
O debate será realizado no dia 6 de outubro, das 11h30 às 12h30, e reunirá Marcos Ferrari, presidente-executivo da Conexis Brasil Digital; Juliano Stanzani, diretor de Política Setorial da Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações; Affonso Nina, presidente-executivo da Brasscom; Lester Zhang, diretor-adjunto de Negócios Internacionais da Sieyuan Electric Co., Ltd.; e Victor Arnaud, presidente e diretor-geral da Equinix no Brasil. O painel discutirá como competitividade, regulação, disponibilidade de energia e conectividade impactam a expansão da infraestrutura digital no Brasil e na América Latina.
A primeira edição do Data Center World Brasil será realizada de 6 a 8 de outubro, no São Paulo Expo, simultaneamente ao Futurecom, reunirá líderes da indústria, especialistas e empresas para discutir os principais desafios técnicos, econômicos e estratégicos da infraestrutura digital.

