
A Polícia Civil confirmou nesta quinta-feira, a prisão da tia da menina de 4 anos, morta após ser agredida pelo tio há 10 dias, em Porto Alegre. A mulher de 22 anos foi capturada durante a manhã na Zona Sul de Porto Alegre, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva, realizado pela 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), vinculada ao Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca).
Conforme a delegada responsável pela investigação do caso, Alice Fernandes, a prisão foi solicitada pela Polícia por omissão, já que a mulher, na visão dos investigadores, deixou de prestar o socorro necessário à criança. “A tia teve conduta omissiva, ao perceber a gravidade das lesões e não levar imediatamente a menina para atendimento médico, só fazendo quando já era tarde demais. Deste modo, que ela também responde pelo homicídio”, afirmou a delegada.
O companheiro da tia já estava preso desde o dia 20 de agosto, quando se apresentou à Polícia. Em depoimento, ele confessou ter agredido a menina, alegando que pretendia repreendê-la após ela ter feito cocô. O homem afirmou que deu palmadas na criança e negou ter utilizado qualquer instrumento ou praticado outras agressões.
Nesta quinta-feira, a Polícia Civil também confirmou que o laudo pericial do Instituto-Geral de Perícias (IGP) foi concluído. Conforme a delegada, o documento apontou como causa da morte politraumatismo causado por instrumento contundente, com lesões na cabeça e na região pélvica, incluindo abdômen e quadril.
O exame também identificou escoriações e equimoses em diferentes partes do corpo da menina. Algumas das lesões estavam em processo de cicatrização e, segundo a perícia, não tinham relação com a causa da morte. Elas podem ter sido provocadas por agressões anteriores ou por acidentes e atividades próprias da idade. O laudo descartou indicativo de violência sexual.
Relembre o caso
A criança estava sob os cuidados da tia e do companheiro dela desde julho. Na madrugada de 17 de agosto, o casal levou a menina, já sem vida, à UPA Bom Jesus. Conforme o relato apresentado anteriormente pela tia à Polícia Civil, ela havia chegado em casa na noite anterior e encontrado a criança tomando banho. Na ocasião, teria percebido um hematoma nas nádegas da menina.
Ainda segundo o depoimento, a mulher questionou o companheiro, que teria admitido ter batido na criança. Durante uma discussão entre o casal, a tia teria visto a menina espumando pela boca e convulsionando. Os dois pediram ajuda a vizinhos e levaram a criança à unidade de saúde, onde ela já chegou morta.
Com a prisão da tia e a conclusão do laudo, a Polícia Civil deve avançar para a conclusão do inquérito. Conforme a delegada Alice Fernandes, o procedimento deve ser concluído, no máximo, no início da próxima semana.
Fonte: Guilherme Sperafico/Correio do Povo


