
Agentes da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) prenderam, nesta terça-feira, Jonathan Steemburgo dos Santos, o Jhon, 31 anos, apontado como integrante da facção Bala na Cara, em Porto Alegre. Era o principal alvo das forças policiais, desde domingo (23), quando teria ameaçado um sargento da Brigada Militar. Ele já estava foragido, ademais, com mandado de prisão vigente, expedido em 13 de julho, na 3ª Vara de Execuções Criminais.
O sargento trabalha há mais de 33 anos na BM, sendo, por isso, um dos policiais mais atuantes e respeitados da Capital. Assim, justamente devido à forma de atuar, com ética e contundência, ele recebeu, via WhatsApp, uma oferta de corrupção, com proposta de diminuir suas ações de policiamento, em troca de valores. Depois, por telefonema, ouviu outras bravatas.
Essa ligação, resumidamente, estipulava prazo, ou seja, o sargento poderia reconsiderar o suborno, tendo sexta-feira como data limite. Do mesmo modo, caso ele seguisse irredutível, como de fato ocorreu, a tentativa de intimidação previa assassinato.
Preso em ofensiva conjunta
A Secretaria da Segurança Pública (SSP), como resposta, mobilizou o efetivo da BM e Polícia Civil, incluindo Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Logo, em menos de dois dias, o bandido foi preso em casa, na rua Sargento Manoel Arruda, próximo ao numeral 434, área da Vila Brasília, no bairro Jardim Carvalho.
“Mostramos a força do trabalho policial e do esforço conjunto. Também devemos destacar a coragem do PM que, mesmo ameaçado e diante da tentativa de suborno, fez o certo e não recuou. Ele teve postura firme, e isso permitiu que agíssemos rápido, tirando esse traficante das ruas. O recado é muito claro: nenhuma ameaça ou tentativa de corromper nossos agentes vai ficar sem resposta”, enfatizou a delegada Samieh Saleh, à frente da Desarme.
Além da prisão, as diligências também resultaram na apreensão de 15 quilos de maconha, três sacolas de skunk, maios de 300 porções de crack e cocaína e 24 munições .9, de uso restrito. O material estava no imóvel do investigado.
O traficante soma antecedentes por crimes do tipo. Na delegacia, ao ser questionado sobre as ameaças, quis ficar em silêncio. A reportagem tenta contatar sua defesa e, por isso, o espaço segue aberto para manifestações.
Diligências contra facção
Segundo o diretor do Deic, delegado João Paulo de Abreu, as ações da especializada seguem, com ainda mais força, junto ao 9º BPM, em especial no Centro Histórico, onde o preso atuava. Ele adicionou que é possível fazer denúncias através do telefone 0800-5102828.
“Manteremos as ações, de forma constante, especialmente na área central de Porto Alegre. Ali, há um trabalho permanente sobre o monitoramento das fações criminosas, com foco na repressão de crimes como extorsão, agiotagem, tráfico de armas e outros conexos”, disse o delegado João Paulo de Abreu.


