
Inteligência Artificial, Machine Learning, Internet das Coisas (IoT), Gêmeos Digitais, Robôs Colaborativos e Automação Industrial transformam rapidamente o funcionamento de empresas e indústrias em todo o mundo. Mais do que substituir funções, essas tecnologias estão remodelando profissões, criando novas oportunidades e redefinindo as competências exigidas pelo mercado de trabalho.
O futuro do trabalho, a necessidade de requalificação profissional e os impactos da automação estão entre os principais temas das discussões econômicas e industriais atuais. Segundo Marcosiris Amorim Pessoa, membro sênior do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, a transformação em curso representa uma nova etapa da transição industrial.
“A quantidade de dados produzidos diariamente cresce de forma exponencial. Esse ecossistema cria demanda por profissionais capazes de transformar dados em conhecimento e decisões”, afirma. Nesse cenário, a ciência de dados desponta como uma das áreas mais promissoras da próxima década. Entretanto, o especialista destaca que a expansão do setor está diretamente ligada à digitalização de praticamente todos os segmentos da economia. “A inteligência artificial se tornou um fator transformador significativo e, em muitos casos, deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito profissional”, explica Marcosiris. Segundo ele, profissionais que utilizam a IA para potencializar produtividade, acelerar análises e melhorar a tomada de decisão terão vantagens competitivas importantes no mercado de trabalho dos próximos anos.
Profissionais híbridos
Ao contrário da percepção de que a inteligência artificial eliminará empregos em larga escala, o especialista acredita que a principal mudança ocorrerá no perfil dos profissionais demandados pelas organizações. “O profissional do futuro precisa ser versátil, mas também especialista em uma determinada área. Os profissionais superficiais e excessivamente dependentes de tarefas repetitivas estarão mais expostos aos impactos da automação”, afirma.
Empresas buscam cada vez mais profissionais capazes de unir conhecimentos de ciência de dados, engenharia de software, inteligência artificial generativa e compreensão das necessidades do negócio. Essa convergência tecnológica vem impulsionando a procura por perfis híbridos capazes de atuar na intersecção entre tecnologia, estratégia e operação.
Para estudantes e jovens profissionais interessados em ingressar no mercado de analista de dados, Marcosiris aponta que o cargo de analista de dados continua sendo o caminho mais realista para iniciar a carreira. Nos primeiros anos, os profissionais normalmente desenvolvem conhecimento sobre os processos da empresa e aprendem a utilizar as ferramentas e metodologias adequadas para cada contexto organizacional. Entre dois e quatro anos de experiência, passam a liderar projetos completos e costumam iniciar processos de especialização em setores específicos ou tecnologias determinadas. Após esse período, geralmente surge a decisão entre seguir uma trajetória gerencial ou aprofundar conhecimentos técnicos e científicos.
Para o especialista do IEEE, a principal característica dos profissionais bem-sucedidos na próxima década será a capacidade de aprender continuamente. “O aprendizado contínuo será um dos maiores diferenciais competitivos da nova economia. A velocidade das transformações exige adaptação constante e disposição para desenvolver novas competências ao longo de toda a carreira”, conclui.
Nesse contexto, iniciativas de qualificação profissional, atualização curricular das universidades e programas de requalificação tornam-se fundamentais para garantir que trabalhadores e organizações consigam acompanhar o ritmo da transformação tecnológica e aproveitar as oportunidades criadas pela nova revolução industrial.


