
Após dois anos, os grandes volumes de chuvas que caem nos últimos dias sobre o território do Rio Grande do Sul colocam em teste, nos últimos dias, todas as ações desenvolvidas desde então. As águas daquela maior tragédia climática do Estado em 2024, levaram sonhos e vidas e, após, veio a reconstrução. E agora chegamos na fase de testes. Apesar de algumas dúvidas ainda existirem e trazerem, pelo menos para uma parcela da população, lembranças difíceis e dolorosas, é inegável que ocorreram investimentos em diferentes frentes. Bairros foram removidos do mapa, famílias realocadas, novos sonhos nasceram.
Em um País em que a burocracia se faz presente, obras, modernização e aquisições de equipamentos foram tiradas do papel. Profissionais, qualificados. Além disso, o tema resiliência climática obteve um protagonismo no debate da esfera pública. A sociedade, de uma forma geral, compreendeu a necessidade da discussão e da compreensão de que o problema é coletivo. É verdade também que há aqueles grupos que tentam minimizar as ações ou mesmo a relevância de determinadas ações.
Ao mesmo tempo, é importante compreender que os atrasos nos investimentos das últimas décadas em sistemas de proteção contra cheias seriam sanados em apenas dois anos. Experiências internacionais mostram que não há uma fórmula perfeita ou exata. Mas sim, a necessidade de análise das condições específicas que precisam nortear determinadas escolhas. Ainda há muito a ser feito, não existe sombra de dúvida.
Diante dessa reflexão, o episódio recente, que neste momento castiga o Vale do Taquari, pode ser considerado um teste para avaliar se tudo o que foi feito até este momento está no caminho certo. Se a sincronia entre previsões, alertas e a cheia dos rios, conversam ou se ainda apresentam falhas. E, diante de um povo tão machucado, a responsabilidade de avaliação, assim como de reconhecimento de um eventual erro, são imprescindíveis. O governo do Estado já manifestou que o Rio Grande do Sul está muito melhor preparado para enfrentar os eventos climáticos atuais.
Fonte: Correio do Povo


