
O Rio Grande do Sul irá ingressar em um período de dias de instabilidade com os efeitos do El Niño, com possibilidades de chuvas, alagamentos e cheias de rios, além de riscos para vento e granizo. Em Eldorado do Sul, moradores que ainda estão reconstruindo suas residências atingidas pelo forte temporal no último sábado preparam-se para os novos episódios de chuva. Na manhã desta terça-feira, no bairro Parque Eldorado, concentraram-se os trabalhos de restabelecimento de energia e de recolocação de telhas por todos os lados.
Na rua Sesmaria dos Farrapos, as paredes cobertas de furos da casa de Marivania Tavares, de 52 anos, entregam a força das pedras de granizo. A residência, pintada há menos de 1 ano, ficou destelhada e inundada. Dentro, é possível ver que só restou o forro na parte de cima. Os móveis ainda estão todos cobertos por lonas. Fora, metade do telhado se foi. “A gente colocou o sofá no sol no domingo, que abriu o sol, que encharcou tudo, tudo, molhou. Os armários da cozinha consegui tapar, mas ainda nem mexi. A TV não testei ainda se funciona, já que a luz voltou ontem. Minha caixa d’água voou”, contou.
Nesta manhã, seus familiares estavam em cima do telhado para tentar recolocar as telhas que receberam do órgão municipal, para protegê-la do novo episódio climático.
Na mesma rua, José Carlos Silva de Souza, de 51 anos, contabiliza os prejuízos que teve no galpão do seu sítio, espaço onde cria animais e árvores. “Não tenho nem ideia ainda. Nunca tinha visto uma cena dessa, terrível”, detalhou. “Foi um troço muito rápido, não dá nem para dizer que barulho era. Quando a gente saiu para fora, já tinha acontecido tudo”. Ele recebeu 10 telhas da Defesa Civil. Nesta tarde, pretende cobrir o que puder do telhado por conta das novas previsões de chuva.
Nas ruas, chama a atenção a quantidade de troncos e galhos de árvores empilhados, após terem sido arrancados com a força do vento. “Eu olho para um lado e para o outro e não consigo mais reconhecer”, diz Vera Lúcia Andrade Cardoso, de 56 anos, moradora da rua José Falcão Moreira. No seu pátio, ainda há por toda a parte pedaços de troncos de 11 árvores que caíram ali, atingindo apenas uma parte do telhado. Entre as árvores, uma era centenária. Foram arrancados, também, seus cultivos de laranjeira e abacateira. “Começou às 5h da manhã, e a gente estava ouvindo só a chuva de pedra. Quando a gente abriu a porta da casa, vimos que aqui estava tudo arrancado”.
Os troncos atingiram o portão, e a família ficou sem conseguir sair para fora de casa nas primeiras horas. Vera mora há 22 anos na residência, e nunca viu algo igual. “A gente já teve um outro caso de chuva de pedra, que furou todo o telhado, a gente trocou tudo. Mas de arrancar as árvores, essas antigas que a gente tinha aqui, nunca foi visto.”
Na rua dos Araçás, a casa de Jaqueline Pereira de Souza, 46 anos, está protegida com uma lona enquanto ainda não consegue colocar todas as telhas. “Está marcando chuva para o final de semana”, preocupa-se. Ela havia passado por um episódio de granizo em 2016, mas nunca dessa maneira. No sábado, tinha programado seu despertador para 6h, mas acordou minutos antes com os estrondos do temporal.
“Em 40 anos, nunca tinha visto algo assim”, relatou. Um galho que voou da casa vizinha atingiu o telhado da sua casa. Seu cunhado, Geremias Trindade, de 68 anos, que mora ao lado, teve o muro da residência totalmente derrubado, e dentro de casa, ainda há pedaços de árvores fincados no forro. Nos fundos, uma grande quantidade de troncos e galhos acumulados, além do que sobrou do muro e das telhas.
De acordo com o último balanço da prefeitura, o número de pessoas atingidas subiu para 865. Destas famílias, quase a totalidade já retornou às suas residências. Houve retorno parcial das aulas, uma vez que das Escolas atingidas, três já tiveram a energia elétrica restabelecida. Nesta quarta-feira, as equipes da Defesa Civil seguem entregando produtos de limpeza residencial, kits de higiene e limpeza, cobertores e cestas básicas para a comunidade.
Para solicitar telhas e auxílio na reconstrução de dsstelhamentos, é possível acionar a Defesa Civil pelo número 51 8595-1470. A doação de telhas é focada em residências.
Previsão de fortes chuvas a partir de quinta-feira
De acordo com a MetSul Meteorologia, chuvas fortes podem perdurar de quinta ao menos até terça-feira da semana que vem, com o Rio Grande do Sul entre os estados mais afetados. As condições devem elevar o risco de formação de “supercélulas de tempestades com vendavais destrutivos, granizo grande e fenômenos severos e isolados de vento, como microexplosões e tornados”. Estão previstos volumes de 100 a 200 milímetros até a metade da semana que vem, com possibilidade de alagamento em áreas urbanas e rurais, com risco de inundação.
Fonte: Correio do Povo


