
O IPCA de junho, a ser divulgado nesta sexta-feira, 10, pelo IBGE, é o principal fato econômico da semana que termina, com a expectativa que seja confirmada parte da melhora qualitativa sugerida pelo IPCA-15. A prévia da Warren aponta alta de 0,32% no mês, levando a inflação acumulada em 12 meses para 4,81%. A leitura esperada pelos analistas do mercado financeiro é de menor pressão em alimentos, itens administrados, bens industriais e serviços subjacentes. O número cheio, porém, será apenas parte da história. O mercado deve olhar principalmente para a composição do indicador.
“Se alimentos e bens industriais desacelerarem, o IPCA reforçará a leitura de menor pressão de oferta. Se os núcleos e os serviços subjacentes também vierem mais benignos, aumenta a probabilidade de novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto”, menciona Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
O ponto mais sensível continua sendo a inflação de serviços intensivos em trabalho. A Warren projeta alta de 0,55% no mês e 7,11% em 12 meses para esse grupo, ainda em patamar desconfortável. “Esse componente conversa diretamente com renda, salários, mercado de trabalho e demanda doméstica — justamente os canais que o Copom precisa monitorar para evitar efeitos de segunda ordem”, diz Manzoni.
O varejo de maio será o segundo dado brasileiro mais importante da semana. Em abril, o varejo restrito caiu 1,5% na margem, resultado bem pior do que o esperado pelo mercado. A queda contrastou com serviços fortes e produção industrial ainda positiva no mesmo mês. Depois, a indústria de maio recuou 0,2%, frustrando as expectativas e reforçando a leitura de que a atividade começou o segundo trimestre de forma mais irregular.
“Um varejo fraco reforçaria a tese de que a política monetária contracionista está restringindo consumo e crédito. Um dado mais forte, por outro lado, poderia reabrir a leitura de demanda resiliente, especialmente em um ambiente de mercado de trabalho ainda apertado, medidas de renda e impulso fiscal”, aponta o analista da Investing.com.
COPOM
A decisão que deve ser tirada da reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central segue aberta entre manutenção e novo corte de 0,25 ponto percentual. A instabilidade no preço do petróleo vai impactar a decisão, assim como o cenário operacional do Estreito de Ormuz e as consequências para o mercado de energia, fretes, seguros, rotas e eventuais cobranças pela navegação, o que mantêm incerteza.
Mesmo assim, o Banco Central dificilmente terá espaço para abandonar a cautela. As expectativas seguem acima da meta, a inflação em 12 meses continua elevada, os serviços intensivos em trabalho permanecem pressionados, o fiscal voltou a incomodar e a curva longa mostrou sensibilidade à estratégia de emissão do Tesouro.
“A comunicação deve seguir dependente dos dados. Se cortar em agosto, o Copom tende a evitar sinalizar uma sequência. Se mantiver, deve preservar a porta aberta para cortes posteriores, caso a inflação e a atividade confirmem desaceleração. A questão não é apenas cortar ou manter”, comenta o analista.


