
Uma denúncia anônima sobre o possível paradeiro dos corpos da família Aguiar mobilizou uma grande força-tarefa das forças de segurança na tarde de terça-feira, em Canoas. Após cerca de três horas de buscas em uma extensa área de mata e de banhado na região da Praia do Paquetá, bairro Mato Grande, a operação foi encerrada sem que qualquer vestígio das vítimas fosse localizado.
A informação chegou inicialmente à Brigada Militar por meio do telefone 190 e foi repassada à Polícia Civil, que coordenou a ação. O chamado mobilizou dezenas de policiais civis e militares, além de integrantes do Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS). A situação também chamou a atenção pela presença de diretores da Polícia Civil que acompanharam pessoalmente as diligências.
As buscas começaram ainda pela manhã, inicialmente de forma visual, mas nenhum indício foi encontrado. Diante da complexidade da área, foi solicitado apoio do Batalhão de Busca e Salvamento do CBMRS de Porto Alegre, que deslocou uma cadela farejadora da raça pastor-belga-malinois para auxiliar nos trabalhos.
A primeira varredura com o cão teve início por volta das 13h, nas proximidades de uma chácara indicada na denúncia. O proprietário do local esteve presente e liberou o acesso dos policiais de forma voluntária. O local foi percorrido por mais de uma hora, sem que fossem encontrados sinais da presença dos corpos.
Como a informação recebida indicava que as vítimas poderiam estar enterradas nas proximidades de uma antena, as equipes seguiram para um segundo ponto. Em razão do difícil acesso, foi necessário ingressar em uma propriedade particular, com autorização dos moradores. A imprensa não teve acesso a essa área. Os trabalhos se encerraram por volta das 15h20min.
Segundo o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM), delegado Cristiano Alvarez, o trabalho realizado pelo CBMRS foi suficiente para cumprir a diligência prevista para esta terça-feira. “O Corpo de Bombeiros acompanhou as diligências com os cães farejadores e, por enquanto, a denúncia não se confirmou, mas as buscas seguem dentro da investigação”, afirmou.
O delegado explicou que o tempo de atuação dos cães é limitado devido ao desgaste físico provocado pelo trabalho em áreas extensas. “Ele se desgasta rapidamente e acabou exaurido. O trabalho previsto para hoje foi realizado”, disse.
Apesar do resultado negativo, Alvarez ressaltou que a hipótese não pode ser descartada definitivamente. “Os cães não indicaram a presença dos corpos nesse local, mas não podemos afirmar que está descartado. A área é bastante grande e não houve nenhuma indicação durante as buscas”, explicou.
Conforme o delegado, a área vistoriada nunca havia surgido durante a investigação. A diligência foi motivada exclusivamente pela denúncia anônima recebida pela Brigada Militar na manhã de terça-feira.
Relembre o caso
Silvana Germann de Aguiar e os pais dela, Isail e Dalmira, estão desaparecidos desde 25 de janeiro deste ano. O policial militar Cristiano Domingues Francisco é réu por matar a ex-esposa, o sogro e a sogra, além de ocultar os corpos das vítimas.
Preso preventivamente desde fevereiro, o PM responde pelos crimes de feminicídio, homicídio, ocultação de cadáver, furto, abandono de incapaz, fraude processual, falsidade ideológica e associação criminosa. A investigação aponta que disputas envolvendo a guarda do filho do casal motivaram os crimes.
Fonte: Guilherme Sperafico / Correio do Povo


