
A passagem da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, por Porto Alegre na segunda-feira foi marcada por uma série de agendas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero e ao fortalecimento da rede de proteção no Estado. Em encontro na Assembleia Legislativa (ALRS) com parlamentares e representantes de diferentes setores, a ministra reconheceu avanços no Rio Grande do Sul, mas reforçou que o combate ao feminicídio exige ação conjunta e responsabilidade coletiva.
Questionada sobre a situação das políticas públicas no Estado, Márcia destacou mudanças recentes na estrutura do governo estadual. “O Rio Grande do Sul apresenta avanços. Quando eu assumi o ministério, o Estado não tinha Secretaria das Mulheres, agora tem. O Conselho Estadual voltou a funcionar e há municípios com redes organizadas, mas os 497 municípios precisam ter essa estrutura”, afirmou.
Apesar das iniciativas, a ministra ressaltou que ainda há lacunas importantes. “Nós temos que criar mais delegacias especializadas, mais patrulhas Maria da Penha e ampliar a conscientização. Não é um problema só do governo, é de toda a sociedade”, disse.
Ao comentar caminhos para reduzir os índices de violência, Márcia Lopes defendeu maior engajamento político e social. “Dependendo de quem a gente elege como parlamentar e como executivo, podemos ter avanços ou retrocessos. Por isso é tão importante que a sociedade tenha consciência de que o voto precisa ser dado com responsabilidade”, pontuou.
Na segunda agenda na ALRS, durante a Roda de Saberes sobre Prevenção à Violência contra as Mulheres, a ministra falou diretamente a gestoras, representantes de movimentos sociais e integrantes da rede de proteção de municípios de diversas regiões do Estado. O evento integra a programação da Tenda Lilás, uma iniciativa itinerante do Ministério das Mulheres.
No encontro, ela destacou que a violência muitas vezes começa de forma silenciosa, no cotidiano. “Não queremos brigar com os homens, queremos construir igualdade. Mas a violência começa assim: ‘com essa roupa você não vai sair’, ‘não pode trabalhar fora’. Esse processo vai se alimentando até chegar a situações mais graves”, afirmou.
Pela manhã, a ministra já havia se reunido com a secretária da Mulher do Rio Grande do Sul, Ana Costa, logo após visitar o terreno em que será construída a Casa da Mulher Brasileira (CMB) de Porto Alegre. Segundo Márcia, a expectativa é de que o local fique pronto no período de até um ano. Desde 2023, o Ministério das Mulheres investiu R$ 323 milhões na ampliação das CMB em todo o país.
Fonte: Guilherme Sperafico / Correio do Povo