
O mercado imobiliário de Porto Alegre fechou 2025 com um cenário de clara divisão, de acordo com o Anuário DataZAP, realizado pelo Grupo OLX. Enquanto o segmento econômico se consolidou como o principal motor de crescimento do setor, os imóveis de médio-alto padrão e luxo encontraram um ambiente de resistência, impactados pela maior seletividade do crédito e pela alta sensibilidade ao preço por parte dos compradores.
No mercado de lançamentos, o volume de novas unidades cresceu 30% em comparação ao ano anterior. Esse avanço foi puxado quase que inteiramente pelo segmento econômico, que registrou um salto de 48% nas vendas e de 52% no número de unidades lançadas. Com uma impressionante velocidade de vendas de 71%, o nicho provou sua forte liquidez. No sentido oposto, os padrões médio-alto e luxo amargaram retrações de 42% e 55% nas vendas, respectivamente.
O mercado de imóveis usados na capital gaúcha, por sua vez, demonstra um bom equilíbrio entre o que é ofertado e o que é buscado, principalmente quando se trata de apartamentos de 2 dormitórios, que representam 44% do estoque e concentram 51% das buscas. O grande desafio, contudo, ainda é a questão financeira: 68% das buscas de imóvel para comprar estão focada em unidades de até R$500 mil, faixa de preço que não acompanha a maior parte da oferta.
LOCAÇÃO
Na locação, a busca por um melhor custo-benefício é ainda mais nítida. Imóveis compactos e funcionais, com aluguel mensal de até R$2.000, dominam a preferência e concentram 66% da demanda. Essa tendência também redesenhou o mapa da cidade, com bairros tradicionais como Menino Deus e o Centro Histórico ganhando um novo protagonismo, enquanto regiões mais valorizadas, como Petrópolis, viram a procura diminuir.
Segundo Coriolano Lacerda, gerente de inteligência de mercado do Grupo OLX, os números confirmam essa nova dinâmica: “O mercado de Porto Alegre em 2025 reflete um consumidor mais racional e sensível ao preço. Existe um bom encaixe entre oferta e demanda na base, especialmente nos imóveis de dois dormitórios, o que garante liquidez nesse segmento. O desafio está nos produtos de maior valor, onde a capacidade de absorção diminuiu. No fim, não é um problema de demanda, mas de aderência entre a oferta de valor e à capacidade de pagamento do consumidor.”
O cenário de 2025 em Porto Alegre desenha um setor imobiliário estruturalmente bem ajustado em relação aos tipos de imóveis, mas que se mostra reativo ao bolso do consumidor, recompensando os produtos mais acessíveis e impondo desafios aos de maior valor.