
Os atos fúnebres da mulher que teve parte do corpo deixado em uma mala na rodoviária de Porto Alegre ocorreram nesta sexta-feira, em Jaguarão, no Sul gaúcho. Após aproximadamente quatro meses no Instituto Médico Legal (IML), Brasília Costa, 65 anos, teve o corpo sepultado no Cemitério das Irmandades, na presença de família e amigos. Ela era natural de Arroio Grande.
O publicitário Ricardo Jardim, apontado como suspeito, foi preso e indiciado por feminicídio, falsificação de documentos e ocultação de cadáver. Ele era ex-companheiro da vítima. De acordo com a Polícia Civil, o crime ocorreu entre os dias 8 e 9 de agosto do ano passado, na pousada onde os dois moravam, na zona Norte da Capital, onde o corpo foi esquartejado.
Ainda conforme a PC o suspeito comprou luvas, lona e uma serra. Em 14 de agosto, ele adquiriu a mala em que o corpo da mulher seria deixado, seis dias depois, em 20 de agosto, no guarda-volumes da rodoviária. Com a lona, ainda segundo apuração policial, o suspeito teria forrado o chão do imóvel. A intenção dele seria evitar que outros moradores da pousada ouvissem os ruídos do esquartejamento, que teria sido feito com o uso da serra.
Cerca de quatro dias após o crime, em 13 de agosto, a vítima teve os braços deixados em um saco de lixo no bairro Santo Antônio, na zona Leste. Em 20 de agosto, a mala com o tronco foi deixada no guarda-volumes da rodoviária, em nome e endereço de uma pessoa que trabalha em um escritório de contabilidade, em Canoas, mas que nada tem a ver com o crime.
As duas pernas da mulher foram encontradas entre os dias 6 e 7 de setembro, na zona Sul da Capital. A primeira destas apareceu, na orla do bairro Ipanema, entre a areia e a água, onde foi avistado por um trabalhador do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Outra, surgiu na orla do Guaíba, perto da avenida Edvaldo Pereira Paiva, sendo localizada por um pescador.
Informalmente, o criminoso teria dito aos policiais que descartou a cabeça da vítima em um lixo orgânico no entorno do Gasômetro. O receio dos agentes é que um caminhão de coleta tenha recolhido o entulho e que, por isso, o membro possa ter sido triturado junto aos resíduos. O destino desse conteúdo é um aterro em Minas do Leão, na Região Carbonífera. A cabeça ainda não foi encontrada.
Condenação em 2018
Ricardo Jardim já enfrentou o banco dos réus em 2018. Por matar a mãe, ele recebeu pena de 28 anos de prisão. Conforme o Ministério Público, a motivação desse crime foi econômica. “A vítima usufruía do seguro de vida do falecido marido, no valor de R$ 400 mil, do qual o filho se apossou após o crime. Ela tinha 76 anos e foi morta com 13 facadas nas costas”, destacou o MP, na época dos fatos.
No julgamento, o réu confessou que ocultou o cadáver, mas negou a morte. Segundo ele, a mãe se suicidou. Jardim foi considerado culpado por três crimes: homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e meio cruel), ocultação de cadáver e posse de arma. Em 2024, progrediu ao regime semiaberto, sendo considerado foragido desde abril do mesmo ano.
Fonte: Marcel Horowitz / Correio do Povo