
Em meio à busca por sombra e água fresca, as recentes altas temperaturas no país têm impulsionado o consumo de produtos voltados ao alívio do calor. É o que mostra um novo estudo da Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados para a cadeia de consumo, que analisou as categorias mais procuradas pelos brasileiros durante o verão. Itens como repelentes, sorvetes e água de coco registraram aumento de até 175% em sua presença nos carrinhos.
A pesquisa da Neogrid avaliou alimentos, bebidas (alcoólicas e não alcoólicas), carnes e aves, e hortifrúti, comparando o início do verão de 2025 com os meses que antecedem o período. A análise levou em conta indicadores como incidência, preço e tíquete médio por compra a partir da leitura anual de mais de 1 bilhão de notas fiscais distribuídas por todo o território nacional.
No segmento de alimentos, a incidência nos carrinhos avançou 2,4% em dezembro em relação a outubro e novembro do ano passado. As bebidas, em particular, tiveram incremento de 3,3%, ao passo que as alcoólicas subiram 5,3%. Já as categorias de carnes e aves cresceram 5,1%, enquanto o hortifrúti apresentou a maior alta do período – de 7,2%.
“O verão é um momento em que o consumidor se permite gastar mais com produtos associados ao prazer, à praticidade e ao convívio social”, explica Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid. “O clima mais quente, as férias escolares, churrascos e viagens estimulam o consumo de bebidas, alimentos mais leves e itens que facilitam refeições rápidas e momentos ao ar livre.”
CONSUMO FUNCIONAL
O repelente foi o principal destaque do período, com crescimento de 175% na incidência, além de alta de 14,6% no tíquete médio. Segundo o levantamento da Neogrid, o produto teve um reajuste moderado de preço de 4,9%, o que contribuiu para preservar a competitividade da categoria. “Esse comportamento indica uma mudança na visão dos brasileiros para um item que passa a ser considerado de caráter emergencial e aliado à prevenção e ao cuidado, especialmente em um contexto de maior atenção a questões sanitárias, como a dengue”, afirma Fercher.
Símbolo clássico do verão, o sorvete registrou elevação de 33,3% na incidência em dezembro sobre os meses anteriores. Mesmo com a leve queda de 0,5% no tíquete médio (R$ 28,12), o desempenho indica maior frequência de compra ao longo da estação. O movimento reflete um consumo mais imediato associado a porções menores, embalagens individuais e marcas mais acessíveis, sem que a categoria perca relevância no dia a dia do consumidor.
Entre as bebidas alcoólicas, a cerveja manteve a liderança como a principal escolha dos consumidores no período. Apesar da leve retração na incidência (-4,7%) do produto, seu tíquete médio saltou 16% (R$ 38,45), acompanhado do aumento de 1% no preço do item no verão. Já entre as bebidas não-alcoólicas, a água de coco apresentou crescimento de 30,5% na incidência e avanço de 8% no tíquete médio (R$ 16,95) sem variações relevantes de preço.
Os dados reforçam que o verão exige do varejo planejamento e leitura atenta do comportamento do consumidor. Categorias ligadas a frescor, conveniência, lazer e cuidado pessoal tendem a ganhar protagonismo e demandam atenção redobrada em sortimento, exposição e abastecimento. “Nesse cenário, a análise de dados em tempo real é um diferencial estratégico para antecipar a demanda, evitar rupturas e capturar de forma mais eficiente o potencial de consumo típico da estação”, conclui Fercher.