
Os dados mais recentes do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), apresentados pela Federação Varejista do Rio Grande do Sul, mostram que a inadimplência no estado encerrou o último ano em alta, com crescimento acima das médias da Região Sul e do Brasil. Em dezembro de 2025, o número de pessoas inadimplentes no estado aumentou 11,89% em relação a dezembro de 2024, superando a média regional (10,86%) e nacional (10,17%).
Na comparação ao mês anterior (novembro), o total de devedores gaúchos apresentou pequena alta de 0,04%, enquanto a Região Sul registrou aumento de 0,36%. A análise do perfil dos inadimplentes revela que a faixa etária de 30 a 39 anos concentra a maior participação, representando 23,37% do total. A distribuição por sexo é equilibrada, com 51,38% de mulheres e 48,62% de homens. A idade média dos devedores no Rio Grande do Sul é de 46,9 anos.
Em relação ao valor das dívidas, cada consumidor negativado no estado devia, em média, R$ 5.138,87 em dezembro. Do total de inadimplentes, 30,07% possuíam dívidas de até R$ 500, percentual que sobe para 42,92% quando se fala de débitos de até R$ 1.000. O tempo médio de atraso das dívidas é de 27,7 meses, sendo que 34,62% dos consumidores estão inadimplentes em um período que varia entre um e três anos.
O número de dívidas em atraso também apresentou crescimento expressivo. Em dezembro de 2025, o volume de débitos no Rio Grande do Sul aumentou 21,83% na comparação anual, novamente acima da média da Região Sul (18,72%) e do Brasil (17,14%). Na passagem de novembro para dezembro, a alta foi de 1,06% no estado. Entre os setores credores, o segmento de ‘’Bancos’’ concentra a maior parcela das dívidas, com 61,61% do total, seguido por Água e Luz, Comunicação, Comércio e Outros. Já o número médio de dívidas por consumidor inadimplente no Rio Grande do Sul chegou a 2,320, abaixo da média da Região Sul (2,425), mas acima da média nacional (2,237).
O presidente da Federação Varejista do RS, Ivonei Pioner, vê a confirmação de um cenário que já vinha se desenhando ao longo de 2025. “Infelizmente, durante o ano, pudemos perceber o desaceleramento da economia e, com isso, o processo de inadimplência veio a acontecer. Secas e enchentes aceleraram este processo principalmente na área do agronegócio, mas o impacto foi na economia de forma geral, e os números mostram isso”, diz.