
O primeiro festival de muralismo e arte pública de Porto Alegre, o Festival Olhe pra Cima, promove sua quinta edição com ações entre janeiro e março, com a pintura de mais seis laterais de prédios, totalizando 19 obras em prédios no Centro Histórico, Independência, Floresta e Cidade Baixa.
Para esta edição, o projeto convidou os artistas Aline Bispo, Apolo Torres, Gordo Muswieck, Jocelyn Burgos, Lídia Brancher e Renan Santos que transformarão as fachadas de prédios nas avenidas Independência, Cristóvão Colombo, Otávio Rocha, Loureiro da Silva, Borges de Medeiros e na rua Jerônimo Coelho em telas.
Segundo o criador e curador do projeto, Vinicius Amorim, “estes murais ressignificam a maneira como nos relacionamos com a cidade e também com a arte. Nosso convite é fazer com que a gente olhe pra cima e descubra ângulos novos da nossa cidade, que se transformou em uma galeria de arte a céu aberto – com arte pública, democrática e acessível para todos”, revela.
O festival já iniciou as pinturas das seis intervenções artísticas, começando por Gordo Muswiek, que ocupará a fachada na Avenida Independência, e devem encerrar no final de fevereiro. Cada mural leva em torno de 20 dias para ser pintado, dependendo de questões como clima e complexidade de cada desenho. Em torno de 60 profissionais estão envolvidos no projeto, entre artistas, assistentes, produtores, técnicos, engenheiros e bombeiros, entre outros.
“Sabemos que essa mudança na paisagem urbana vai para além de revitalizar os prédios, pois traz transformações de impacto social: a arte pública promove na comunidade o desenvolvimento conjunto econômico, cultural e social, e para o indivíduo, os benefícios podem ser vistos na saúde, no desenvolvimento cognitivo, psicológico e também nos laços interpessoais. O projeto visa resgatar a sensação de pertencimento da comunidade, deixando para trás a sensação de que as vias públicas são meras passagens, mas sim espaço de arte, reflexão, beleza e contemplação”, declara o Gestor Cultural, responsável no sul do país pelo projeto canadense – Art Battle – maior competição de pintura ao vivo do mundo e que ocorre desde 2016 em Porto Alegre.
Nesta edição, o mapa de intervenções se amplia, com obras em prédios nos bairros Independência e Floresta, um motivo de comemoração para Amorim, já que o objetivo do projeto a longo prazo é alcançar o máximo de regiões possíveis da capital, como o exemplo da intervenção artística no bairro Sarandi, realizada na edição de 2024, e que se repete esse ano. Além disso, é a primeira vez que o evento conta com a participação de uma artista internacional, a chilena Jocelyn Burgos, que assina a obra que vai ocupar um prédio na avenida Otávio Rocha, Centro Histórico.
Ação abre convocatória
Nas edições de 2021 e 2022, o Festival Olhe pra Cima realizou duas ações sociais: a pintura de mural no Território Ilhota e na fachada da Casa de Acolhimento Mulheres Mirabal. Em 2024, foi a vez do bairro Sarandi, um dos mais atingidos pela enchente daquele ano, a receber uma intervenção artística coletiva assinada por 10 artistas juntamente com o Coletivo Abrigo, uma organização de educação, cultura, esporte e assistência social fundada em 2015. A parceria se repete desta vez, através de convocatória no site do evento a partir do final de janeiro.
O Coletivo Abrigo, foi o idealizador do projeto Viva Elizabeth: Diálogos que transformam a vila é uma rota turística de graffiti localizada na periferia de Porto Alegre, na Vila Elizabeth, inspirado na Comuna 13 de Medellín. Com quase 2km de extensão, essa iniciativa reúne a expressão artística de 36 artistas, transformando a comunidade em uma vibrante galeria de arte a céu aberto. Além de estimular o turismo periférico, o projeto busca descentralizar os investimentos em cultura, impulsionar a economia local e celebrar a identidade cultural única da região.
O Festival selecionará 10 artistas que receberão um cachê de R$1.200 (mil e duzentos reais) e desenvolverão uma obra conjunta que integrará o tour.
Fonte: Correio do Povo