
Foto : Alina Souza
O governador Eduardo Leite (PSD) afirmou que a expectativa é de que o devolutivo com as alterações no projeto de concessão do bloco 1 de rodovias aconteça ainda em fevereiro, com a publicação do edital em março – e com uma tarifa abaixo dos R$ 0,21 por quilômetro.
“Nesse momento, o BNDES, que é o banco nacional do governo federal, que ajuda no processo de estruturação e modelagem, está fazendo todos os cenários de todas as opções que nós temos de ajuste e redimensionamento de obras, todas as ferramentas que a gente pode utilizar para tentar reduzir o valor da tarifa”, informou Leite em coletiva de imprensa, nesta terça.
Questionado sobre o impacto da Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa, que investiga os processos de concessão, para atração de investidores, Leite acusou a CPI de ser um “palanque de ataque”.
“Eu entendo e insisto que haja uma discussão sobre o modelo. Mas uma CPI, em ano eleitoral, está transformada muito mais em um palanque para fazer ataque às concessões do que em colaboração para melhoria. Eu respeito o Parlamento, mas entendo que há sim um oportunismo político eleitoral de aproveitamento dessa pauta para tentar render algum tipo de mídia”, criticou.
O governador participou – acompanhado do seu time de secretários – do primeiro dia do Fórum de Debates sobre as concessões do bloco 1 e 2 de rodovias, promovido pelo Setcergs em parceria com a Federasul. Outros dois encontros estão marcados para os dias 4 e 25 de fevereiro, na sede do Setcergs.
Governador rebate críticas
Durante apresentação aos empresários, Leite assumiu um tom de respostas aos seus adversários que dominou boa parte da sua fala de quase 1h. O governador afirmou que essa discussão não deveria ser um debate ideológico, visto que gestões de todos os partidos no país têm realizado concessões rodoviárias, do Novo ao PT. Para ele, outros governos não avançaram no assunto por um “trauma” do passado. A fala foi em referência à campanha de 1998, em que o ex-governador Antônio Britto sofreu um alto desgaste político e ficou conhecido como o “governador dos pedágios”.
“Eu assumi o compromisso nas eleições de 2018 e fiz”, disse o governador. “Eu estou ficando com todo desgaste, enquanto o próximo governador vai só cortar a fita. Será o maior número de obras da história”, exaltou Leite. O governador está certo de que o assunto será explorado durante o período de campanha e parte dos seus adversários que estão atacando as concessões devem propor projetos semelhantes no futuro.
Em outra alfinetada para aqueles que vêm pressionando contra, o governador relembrou que projetos mais espinhosos, como a Reforma da Previdência, contaram com o apoio de deputados que, apesar do desgaste, “entenderam a situação do Estado”. Ao alegar que não fazer as concessões é um ideal suicida, Leite foi enfático: “podemos discutir o quanto for o modelo, mas não é uma opção não fazer”, finalizou.
Federasul e Setcergs: “risco que precisamos correr”
O entendimento da necessidade de se realizar o repasse das rodovias gaúchas a uma administradora privada é compartilhado entre os proponentes do fórum. O presidente do Setcergs, Delmar Albarello, explicou que apesar do aumento no número dos pedágios – e, em alguns casos, dos valores também – uma estrada melhor tem um custo menor de logística.
“Nós reduzimos o custo em tempo, em equipamento, em combustível que poluímos menos, menos consumo de pneu, menor manutenção. Todo mundo ganha”, explicou. Ele reforçou, porém, a necessidade de transparência no processo para que os envolvidos possam avaliar o custo-benefício das medidas.
O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, ainda aguarda os resultados da revisão do projeto do bloco 1, mas está convicto que, no caso do bloco 2, a concessão aos moldes em que está “é um risco que precisa ser assumido”.
“Não é uma escolha entre pagar e não pagar. É uma escolha entre ter ou não ter as empresas e os empregos. Ter ou não ter o desenvolvimento pelos próximos 30 anos. É uma escolha entre aceitar a decadência como ela está”, resumiu.
Fonte: Flávia Simões / Correio do Povo