Confiança do industrial gaúcho volta a cair após três meses de alta

Pesquisa da FIERGS reflete frustração com demanda interna e cenário econômico

Crédito: José Paulo Lacerda/CNI

O Índice de Confiança do Empresário Industrial gaúcho (ICEI-RS), divulgado nesta quinta-feira, 21, pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), interrompeu a sequência de três altas e voltou a cair em setembro, para 48,4 pontos, contra 49,9 de agosto. Todos os componentes recuaram, especialmente os relacionados à economia. Dados abaixo de 50 mostram que os empresários estão sem confiança, que as condições atuais pioraram e as expectativas são pessimistas. Acima dessa marca, a leitura é positiva.

“O resultado reflete a frustração dos empresários gaúchos com o desempenho da demanda interna, sobretudo, dos investimentos, além de uma reavaliação do cenário econômico que, apesar da melhora relativa nos três meses anteriores, ainda é bastante desfavorável diante dos elevados níveis de juros e da incerteza”, diz o presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry.

Segundo o ICEI-RS, todos os componentes caíram este mês, especialmente os relacionados à economia. O Índice de Condições Atuais recuou de 44,8, em agosto, para 43,5 e, como manteve-se abaixo de 50 pontos, continua a revelar deterioração das condições dos negócios pelo 10º mês consecutivo. A queda do índice mostra que o sentimento dos empresários é de piora mais intensa e disseminada em setembro.

A percepção da indústria gaúcha em relação às condições atuais da economia brasileira é, entre todos os componentes, o de pior avaliação: 38,9 pontos, três abaixo de agosto. O percentual de empresários que percebem piora da economia subiu de 39,7% para 47,4% e de melhora caiu de 12,6% para 8,7%. O Índice de Condições das Empresas recuou de 46,4 para 45,8 pontos. Significa que os empresários também notam uma piora mais acentuada nas condições das suas empresas.

O presidente da FIERGS ressalta que a confiança é importante por antecipar o desempenho da atividade industrial, pois o empresário tende a aumentar a produção, o emprego e o investimento, ocorrendo o inverso na sua ausência. Portanto, os resultados em setembro em nada sugerem mudança na trajetória atual da atividade da indústria gaúcha, e a tendência é de manter o baixo dinamismo nos próximos meses.

EXPECTATIVAS

Com 50,8 pontos, o Índice de Expectativas, que mede as percepções dos empresários para os próximos seis meses, ainda revelou otimismo, mas ficou abaixo da média histórica (57,1 pontos) e de agosto (52,5) e próximo do ponto neutro de 50 pontos. Portanto, o otimismo dos empresários é bastante moderado. O Índice de Expectativas da Economia Brasileira caiu de 47,2 para 44,9 pontos – o pessimismo aumentou – e o Índice das Empresas recuou de 55,2 para 53,8 pontos – o otimismo diminuiu – no período. De agosto para setembro, o percentual de empresários pessimistas com o futuro da economia brasileira subiu de 25,6% para 30,1% e o de otimistas recuou de 19,1% para 14,8%.