Série Irmandade e o cruel retrato do surgimento das facções criminosas no Brasil

Com oito episódios, produção conta o surgimento da facção criminosa, no ano de 1994, dentro de um presídio em São Paulo

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Cristina e Edson./ Foto: Divulgação.

A Netflix disponibilizou, na última sexta-feira, os oito episódios de sua nova produção: a série Irmandade. A produção brasileira conta o surgimento da facção criminosa, no ano de 1994, dentro de um presídio em São Paulo. A produção bem feita é mais um nome brasileiro de peso dentro do catálogo de streaming.

O líder da Irmandade é Edson Ferreira, vivido por Seu Jorge. Ele foi preso em 1974 com uma pequena quantidade de maconha. Passados 20 anos, criou a facção e cometeu diversos outros crimes dentro da cadeia. Do lado de fora está Cristina Ferreira (Naruna Costa), irmã de Edson, advogada que trabalha no Ministério Público e vê sua vida mudar quando retoma o contato com o irmão.

Segundo o diretor da série, Pedro Morelli, houve uma intensa pesquisa sobre facções antes da série começar a ser gravada. Morelli destaca que os grupos criminosos nasceram como forma de reagir as opressões do sistema penitenciário. Nos anos 90, o cenário de tortura e ausência de direitos humanos era ainda maior dentro das cadeias. A opressão do Estado motivou a criação das facções criminosas.

E é exatamente este contexto que a série retrata. A cadeia, conhecida como ratoeira, tem uma cela especial. Chamada de ”tranca”, os detentos são levados para lá quando o diretor do presídio julga que eles tenham alguma informação, ou por mau comportamento. Dentro da ‘tranca” eles sofrem as mais cruéis torturas.

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Irmandade./ Foto: Divulgação.

A série deixa claro que para algumas pessoas não há opção. Quem nasceu no meio do crime, mora na favela e é negro tem mais chances de terminar dentro da ratoeira. Para quem já está lá, não há reabilitação ou possibilidade de ressocialização. O sistema destrói as pessoas. Até mesmo aquelas que cometeram crimes menores, como foi o caso de Edson no começo da produção.

No contexto da série, depois de diversos acontecimentos, uma nova facção surge para brigar com a Irmandade pelo domínio do presídio. A partir daí uma nova guerra começa. Além de lutar contra o sistema, como as facções dizem que fazem, agora eles vão começar a duelar entre si.

O plano de fundo da série, que se torna mais importante do que parece, é a Copa do Mundo. A Irmandade usa o jogo da final, entre Brasil e Itália, para arquitetar uma ousada fuga. Este é um dos episódios com maior carga de adrenalina da produção.

Evitando dar spoiler, mas eu assisti sete episódios pensando que a série tinha potencial para mais. Mas, o último episódio foi forte, cruel, pesado e impressionante. Em quase 1h, o espectador não consegue desgrudar o olho da tela. Quer dizer, só desvia o olhar quando a cena apresentava intensa carga de violência.

Para resumir, a série é boa, mas não é para os mais sensíveis. Com cenas forte de violência, o expectador precisa ter estômago forte, principalmente nos episódios finais. Ah, importante ressaltar que a série não teve um desfecho. As últimas cenas mostram que a produção pode ter uma segunda temporada.

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