
A Netflix disponibilizou na sexta-feira, dia 13, os oito episódios de sua nova série: Unbelievable (Inacreditável). A produção é baseada em fatos reais e conta a história da adolescente Marie Adler.
A série Unbelievable é muito envolvente. Eu assisti seis episódios direto, depois precisei tomar um fôlego para concluir, no dia seguinte. Entretanto, eu não recomendaria para o público mais sensível. Apesar de não ter cenas explícitas, ela trabalha muito com as emoções e pode ativar gatilhos de violência sexual.
A série Unbelievable
Marie foi estuprada dentro de seu apartamento, no meio da noite, por um desconhecido que invadiu o local. Mas, a polícia não acreditou nela porque o estuprador não deixou evidências para trás.
Dando sequência a trama, a vida de Marie vira de cabeça para baixo. Ela é convencida pelos policiais a dizer que seu estupro foi uma invenção. Depois disso, seus amigos lhe viram as costas e outras consequências aparecem transformando sua vida.
Marie é uma jovem humilde, que vivem em uma espécie de abrigo, depois de ter passado por lares adotivos. Ou seja, não há ninguém para brigar por ela.
A história de Marie se mistura a de outras mulheres, mesmo que elas não se conheçam. Duas brilhantes detetives conseguem informações para unir os casos de estupro em que trabalham e chegam a uma conclusão: o estuprador escolhe mulheres solitárias em diferentes cidades do país. Ele age assim porque sabe que as delegacias não se comunicam. O modus operandi é o mesmo, mas uma coincidência fez com que as detetives ligassem os casos.

A busca por este estuprador em série é agoniante. O homem é doentio. Ele invade as casas, amarra as vítimas, as venda, comete o crime e depois exige que as mulheres tomem banho. Com isso, não resta DNA nos corpos delas. Como ele não deixa pistas, tudo vira uma possibilidade para encontrá-lo. Principalmente uma marca de nascença que ele possuí na perna esquerda.
O estuprador foi capturado em 2011. Ele é culpado por 28 casos de estupro e outras acusações. A pena dele foi de 327,5 anos de prisão na lei americana.
E Marie Adler?
Ao verem as fotos das vítimas em uma câmera que o estuprador roubou, as investigadoras não reconhecem uma: Marie Adler. Da mesma forma e com o mesmo cuidado, elas vão atrás da história da jovem. Por fim, descobrem que ela inclusive tinha sido acusada de denunciação caluniosa e respondia um processo por isso.
Os policiais que não acreditaram em Marie ficam perplexos ou constatarem que seu estupro foi real. Mari consegue um acordo com o município, recebe uma quantia em dinheiro, compra um carro e se muda, disposta a recomeçar.
A cena final é muito sutil e bonita. Ela liga para uma das investigadoras e agradece pelo trabalho. Mari se emociona ao dizer que volta a acreditar que existem pessoas boas no mundo.
Por fim, temos que ressaltar que a Netflix acertou em cheio na produção. Ela tratou assuntos delicados com mais cuidado do que em 13 Reasons Why, por exemplo.
É tão evidente as diferenças de tratamento de uma investigação de abuso sexual quando tratada por um investigador homem e depois por uma mulher. No segundo caso de estupro que aparece, a situação é a mesma: a palavra da vítima e nenhuma evidência. Porém, a detetive não desconfia, nem por um minuto, que a mulher esteja mentindo.