Repasse da alta do dólar para os preços no Brasil tem se mostrado contido, diz BC

Meta de inflação é de 4,5% para este ano

Dólares. Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

O nível de repasse da alta do dólar para os preços no Brasil tem se mostrado contido, com exceção de alguns preços administrados, a exemplo dos combustíveis. Entretanto, medidas de inflação indicam alta dos preços, mas estão em linha com a meta que deve ser perseguida pelo Banco Central (BC). Essa avaliação consta de ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada nesta terça-feira.

Segundo o documento, na última reunião, o Copom debateu o repasse da alta do dólar para a economia brasileira. O comitê ponderou que a intensidade do repasse depende do nível de ociosidade da economia e das expectativas de inflação. “O comitê continuará acompanhando diferentes medidas de repasse cambial”, disse.

O Copom acrescentou que sua atuação deve ser apenas sobre a propagação dos preços na economia. “Esses efeitos podem ser mitigados pelo grau de ociosidade na economia e pelas expectativas de inflação ancoradas nas metas.”

Próximos passos

O Copom optou por não sinalizar qual será o próximo passo na definição da taxa básica de juros, a Selic, na reunião marcada para o final de outubro. Na ata, o comitê informa que debateu a “conveniência de sinalização” do futuro da Selic no próximo mês, mas os membros do Copom, formado por diretores e presidente do BC, avaliaram que o nível de incerteza da economia requer “maior flexibilidade” para a definição dos juros básicos.

“Todos avaliaram que o nível de incerteza da atual conjuntura gera necessidade de maior flexibilidade para condução da política monetária, o que recomenda abster-se de fornecer indicações sobre seus próximos passos”, disse o comitê. Na última semana, o Copom manteve a Selic em 6,5% ao ano, pela quarta vez seguida. Com essa decisão, a taxa segue no menor nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 1986.

No documento divulgado nesta terça-feira, o Copom reforça o compromisso de, ao definir os juros, manter a inflação na meta. “Isso requer a flexibilidade para ajustar gradualmente a condução da política monetária quando e se houver necessidade. Essa capacidade de resposta a distintas circunstâncias contribui para a manutenção do ambiente com expectativas ancoradas, o que é fundamental para garantir que a conquista da inflação baixa perdure, mesmo diante de choques adversos”, destacou.

A meta de inflação é 4,5%, neste ano. Essa meta tem limite inferior de 3% e superior de 6%. Para 2019, a meta é 4,25%, com intervalo de tolerância entre 2,75% e 5,75%. Para alcançar a meta de inflação, o BC usa como instrumento a taxa básica de juros.

Ao reajustar a Selic para cima, o BC segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Reduzindo os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

Para cortar a Selic, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir. A manutenção da taxa básica de juros indica que o Copom considera as alterações anteriores suficientes para chegar à meta de inflação.