
O pré-candidato do Novo à presidência da República, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, disse nesta sexta-feira, em Porto Alegre, que pretende repetir a receita utilizada em suas duas eleições em Minas para romper a polarização existente na disputa nacional e chegar ao segundo turno.
“Sou especialista. Em 2018, fiquei entre o terceiro e o quarto lugares em 95% do tempo da campanha para o governo do Estado. Mas rodei 70 mil quilômetros com meu carro, mostrando que havia algo diferente. É o que estou começando a fazer agora. Até outubro, vou andar pelo Brasil e causar constrangimento a vários concorrentes. Farei propostas que quero ver se algum deles assume: abrir mão de privilégios, de mordomias, dar total transparência, até telefonemas deveriam ser publicizados”, afirmou Zema.
Como parte do discurso de defesa da transparência e fim de privilégios, o mineiro se referiu negativamente aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que comparou a “duas árvores mortas”. Foi uma alusão às notícias sobre a possível vinculação de ambos com o escândalo do Banco Master. “É só questão de tempo para uma ventania derrubar”, estimou. Na sequência, disse esperar que senadores a serem eleitos em outubro possam votar o impeachment dos ministros. “Acho que impeachment é pouco. O que merecem é prisão”, completou.
As declarações foram feitas durante a participação de Zema, como palestrante, na reunião-almoço ‘Tá na Mesa’, da Federasul, realizada excepcionalmente nesta sexta para aproveitar a passagem do presidenciável pelo RS. Além das alusões constantes ao Master e ao STF, Zema também criticou os governos petistas e a alta taxa de juros, defendeu a transparência total dos gastos públicos, a reforma administrativa, uma nova reforma previdenciária e a revisão de projetos sociais.
Ele deu destaque ainda para a área da segurança pública, citando El Salvador como exemplo. “Fui no ano passado conhecer a experiência do mundo mais bem-sucedida de redução de homicídios: 99% em quatro anos. El Salvador é um país pequeno, mas que fez um experimento inédito no mundo.”
Elogiado por parte de políticos de direita dentro e fora do Brasil, o modelo adotado pelo governo de Nayib Bukele em El Salvador para redução da criminalidade é criticado por organismos internacionais que apontam violação de direitos humanos, prisões em massa, perseguição a opositores e tortura em prisões. Bukele mantém o controle sobre os três poderes, e a linha dura na segurança vem garantindo a ele altos índices de popularidade, apesar do debate sobre sua classificação como um regime autoritário.
Fonte: Flávia Bemfica / Correio do Povo