
Com um resultado anual de queda de 4,3% no emplacamento de veículos, o setor de concessão e distribuição de veículos do Estado do Rio Grande do Sul percebe uma estabilidade no setor e projeta crescimento em 2026. Desempenho não acompanha o balanço nacional do setor que apresentou crescimento.
Para o presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Rio Grande so Sul (Sincodiv-RS), Jefferson Fürstenau, a queda em relação ao ano anterior não representa um desempenho ruim. “Tivemos em 2024 fenômeno da enchente, com o maior número de indenizações de seguro ou seja, o mercado de automóveis no Rio Grande do Sul teve três meses de crescimento muito superior ao desempenho do Brasil. Esse ano não houve nenhum evento que desse uma movimentada no mercado”, argumentou.
O sindicalista também explicou que o resultado econômico inferior ao esperado para o agronegócio – em decorrência de condições climáticas adversas -, também influenciam no balanço negativo “com a liberação de verbas do Governo federal, nós tivemos uma recuperação no final do ano” especificamente relacionado a veículos pesados, avaliou o representante.
O Estado que é o 5° no Ranking Nacional para venda de veículos comerciais leves, cai para a 10ª posição no ranking geral de veículos no País puxado pelo fraco desempenho na venda de motocicletas, onde ocupa a 19ª colocação entre as 27 Unidades Federativas. Os resultados foram apresentados no almoço oferecido pelo Sincodiv-RS, que divulgou o balanço do setor em 2025 e projetou as expectativas do ramo para este ano.
Os indicadores econômicos também ajudam a explicar o resultado tímido em 2025. A alta taxa de juros e o aumento da inadimplência foram fatores importantes que ajudam a entender o resultado. Esses indicadores prejudicam principalmente as condições de obtenção de crédito, o que prejudica o resultado já que os financiamentos são parte representativa dos recursos utilizados para a compra de veículos. Além disso, a projeção de crescimento do PIB (entre 2% e 2,2%) acompanhado do resultado o IPCA em 4,3%. Os indicadores colaboram para um baixo crescimento da renda média, que no ano passado não acompanhou a elevação dos preços do mercado, desaquecendo procura por veículos novos.
A expectativa é que com a redução da taxa Selic para este ano e o desempenho do agronegócio melhor do que o ano anterior beneficie o mercado de automóveis. A projeção é de um aumento de 3% com relação a 2025 no emplacamento de automóveis e veículos comerciais leves. Além de um avanço levemente maior considerando a venda de novos veículos pesados como caminhões, estimada em 3,2%.
Entre a julho e agosto – período que historicamente é de alta para o mercado gaúcho do setor – o desempenho do setor no Rio Grande do Sul foi um dos piores dos últimos anos ficando abaixo da média nacional. “Foram seis meses de alta e outros seis meses de queda, o que fez com que o nosso desempenho não acompanhasse o cenário nacional”, explicou o representante.
De acordo com o presidente do sindicato, 2025 se encerra com uma leve recuperação em dezembro, o que acompanha o aumento dos financiamentos para compra de veículos a nível nacional e reforça a projeção de estabilidade esperada para 2026.
Fonte: Lúcia Haggstöm / Correio do Povo