
Dois anos após a enchente que atingiu Porto Alegre, o município ainda tem obras do sistema de proteção contra cheias em andamento. Todas as comportas já foram reformadas, substituídas ou extintas em concreto, e algumas intervenções devem ser finalizadas ainda neste ano, como parte da proteção da região dos pôlderes 7 e 8, entre os bairros Anchieta e Sarandi, e a implementação de dupla alimentação de energia elétrica. Outras obras levarão até cinco anos para serem finalizadas, como a construção de novas casas de bombas. Há ainda obras que não têm previsão de serem concluídas, como o último trecho do dique do Sarandi, que depende da remoção de famílias.
Veja, abaixo, como está a situação das obras que ainda estão em andamento ou não saíram do papel:
- Casas de bombas
Atualmente, as casas de bombas, conhecidas também como Estações de Bombeamento de Água Pluvial (Ebaps), estão com obras de reforço ou terão uma nova estrutura, com maior capacidade de bombeamento. Segundo o Dmae, atualmente, há cinco lotes em processo para o reforço das casas, cada um deles envolvendo três a quatro casas de bombas. Destes cinco, três já estão com a empresa contratada, e as obras devem durar de 6 meses a 1 ano.
“Essas obras, que a gente chama de resiliência, são para as atuais casas, com melhores quadros de comando, geradores próprios e bem mais altos. Cada casa de bomba recebe um ou dois motores novos e bombas novas. Tem quadro de comando, quadros elétricos, motores novos, geradores próprios e recebe uma estrutura melhorada. Então fisicamente ela fica bem melhor, mas não tem um aumento de capacidade significativo”, detalhou Perrone.
Já as casas de bombas novas poderão ter capacidade até seis vezes mais do que a atual, e serão construídas em bairros como Farrapos, São João, Floresta, Menino Deus e Sarandi. Na última sexta-feira, foi lançada a primeira licitação para uma das novas casas de bombas, localizada no bairro Sarandi. Elas serão construídas próximas à atual, para que não seja interrompido o trabalho de bombeamento, e será avaliado se a antiga será desativada ou se irá continuar operando junto com a nova.
A atual estrutura tem capacidade de bombeamento de 8 mil litros por segundo. Já a nova poderá bombear 24 mil litros por segundo. A casa de bombas localizada no bairro Humaitá, na Vila Farrapos, será outra que terá sua capacidade ampliada, podendo bombear até 40 mil litros por segundo.
Segundo o Dmae, a licitação para as novas casas de bombas será realizada até o final do primeiro semestre de 2027, com elaboração do projeto executivo para os próximos seis meses. As obras devem ser concluídas apenas em 2031 ou 2032. Já as obras de reforço durarão 12 meses, oito terão obras iniciadas até o final do primeiro semestre de 2027, e outras licitações serão realizadas em novembro deste ano e janeiro do ano que vem. Até o final de 2027, os cinco lotes já estarão com obras finalizadas, estima o órgão.
- Diques
Em relação aos diques de proteção, ainda precisa ser concluída a estrutura do dique da Assis Brasil. O diretor-presidente do Dmae afirmou que realizou uma reunião com o governador Eduardo Leite nesta segunda-feira para discutir o lançamento de uma nova licitação para a obra, com investimento de R$ 24 milhões.
A previsão é de que a licitação seja realizada ainda neste ano, ou em janeiro. Com o projeto já pronto, os envelopes devem ser abertos entre janeiro e fevereiro, e em seguida começarem as obras em 1,5 quilômetros de estrutura, com duração de até seis meses.
As três galerias que ligam o arroio Areia ao rio Gravataí, no bairro Anchieta, na zona Norte, ganharam novas comportas de proteção contra cheias. O serviço integra as obras dos pôlderes 7 e 8, localizados entre os bairros Anchieta e Sarandi. Em agosto, já haviam levado comportas às quatro galerias que ligam o arroio Passo das Pedras ao mesmo rio. Ainda devem ser instaladas as bombas móveis, que devem ser concluídas nas próximas duas semanas.
Agora, o Dmae trabalha para fechar o anteprojeto da obra definitiva de proteção contra cheias na região, orçada em R$ 300 milhões. O governo federal autorizou o Município a executar a obra no dia 11 de setembro. Na obra definitiva, serão construídas duas novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps), alargados os canais dos arroios Passo das Pedras e Areia e reconstruídos os diques dos respectivos cursos d’água. A previsão é de que a concorrência pública que definirá a empresa executora seja aberta no primeiro trimestre de 2027.
No dique do Sarandi, ainda há um trecho que depende da realocação de famílias para que possam começar as intervenções, ainda sem previsão. “A gente ainda está em processo junto com o DEMAB e com a prefeitura para acolher aquelas famílias. Muitas já saíram, fui lá nesta semana”, destacou Perrone. O diretor-presidente do órgão explicou que, com as intervenções entre os pôlderes 7 e 8, o dique do Sarandi não tem mais a necessidade de ser robusto como estava previsto anteriormente, com 7 metros de altura, porque precisa reter apenas a água da chuva, não do rio Gravataí.
“A gente bloqueia o rio Gravataí na Freeway, solucionando muitos pontos de problema que tinha tanto no dique do Arroio Areia, quanto no dique do Sarandi. Se torna uma obra não tão necessária imediatamente”, explicou Perrone. Ainda não está definida qual será a altura do dique, mas a expectativa é de que a cota chegue a 4 metros.
- Dupla alimentação de energia elétrica deve ser concluída em novembro
Está previsto para novembro a entrega de todos os lotes que ainda restam para as obras de implementação de dupla alimentação de energia elétrica. O projeto vai garantir o funcionamento ininterrupto das 37 principais unidades que integram os sistemas de drenagem urbana, abastecimento de água e esgotamento sanitário de Porto Alegre. Com o modelo, as estações passarão a receber energia de duas fontes independentes.
Segundo o Dmae, há uma questão contratual, exigida pela ANEEL, pela Agência Nacional de Energia Elétrica, de que as intervenções sejam concluídas em 365 dias após a assinatura da ordem de início.
- Obras no bairro Guarujá ainda carecem de recursos
Ainda estão na fase de elaboração dos anteprojetos de proteção de cheias e de drenagem para as obras no bairro Guarujá, na zona Sul. Segundo o Dmae, devem ser concluídos até o final do primeiro semestre. Porém, as obras ainda precisam de recursos. “A gente está agora em fase de procura de recursos, tanto do governo federal e do governo estadual, quanto bancos de financiamento internacionais, como o banco asiático, e a gente está tentando esses financiamentos. Paralelo a isso, a gente vai tocando os projetos, mas a ideia é, tendo o dinheiro, lançar no segundo semestre do ano que vem essa licitação”, afirmou Perrone.
“A gente, agora, começa uma leva de obras muito mais grandiosas, porque vínhamos solucionando obras menores, como as comportas, os condutos forçados e esses diques que tinham a elevação de até 5,80 metros. A gente preferiu solucionar problemas mais antigos, como por exemplo, as casas de bomba que tinham furos e buracos e não tinham as comportas de vedação”, destacou Perrone.
Mesmo com obras ainda em andamento e com previsão de conclusão para os próximos anos, o diretor-presidente avalia que o plano atual de contingência no município é robusto, com monitoramento da entrada de água na cidade e “materiais de intervenção emergencial” prontos para o uso.
“A gente está muito preparado para qualquer eventual subida de rio com ou sem o El Niño, e a gente continua trabalhando no sentido de cada vez mais subir as estruturas, com garantia de que mais mudanças climáticas vão acontecer nos próximos anos e próximas décadas, a gente trabalha com um cenário de 100 anos para frente. Todos esses projetos prevêem eventos mais extremos e cotas cada vez mais altas, fazendo com que Porto Alegre fique bastante protegida”.

