
O varejo de artigos para casa deve fechar o último ciclo, encerrado em 2025, com um crescimento de 5,7% em relação a 2024, num total de R$ 119 bilhões em vendas. A estimativa da ABCasa (Associação Brasileira de Artigos para Casa, Decoração, Presentes e Utilidades Domésticas) mostra que o brasileiro não deixou de consumir, mesmo com as elevadas taxas de juros, mas passou a comprar de forma mais criteriosa.
Ainda nos dados apresentados, a produção nacional alcançou R$ 65 bilhões, enquanto o consumo interno aparente chegou a R$ 72 bilhões. Eduardo Cincinato presidente da ABCasa, explica que o resultado é um reflexo do controle do setor na inflação dos preços em 2,13%, abaixo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e com um modelo adaptado ao comportamento dos consumidores.
Cincinato ainda cita alguns fatores por trás dos resultados, como a pressão de custos, margens mais apertadas, consumo dos estoques por parte do varejo e o aumento da competitividade com produtos importados. Ele menciona que o crescimento das vendas do varejo por importações é essencial para não haver dependência da produção nacional.
“O brasileiro está consumindo de forma diferente. Ele não deixou de comprar artigos para casa, mas está muito mais estratégico. Ele acaba pesquisando mais e prioriza itens essenciais. Há menos compra por impulso e mais decisão racional. O custo-benefício passou a ser determinante. Isso exige do varejo e da indústria mais eficiência, mais criatividade e um portfólio que entregue valor real”, destaca Cincinato.
INDICADOR
O varejo brasileiro iniciou o ano de 2026 em retração, com queda de 1,5% em janeiro, segundo o ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado). O resultado representa a menor variação para o mês de janeiro desde o período da pandemia de Covid, quando o consumo foi fortemente impactado.
O desempenho reflete um início de ano marcado por consumo mais cauteloso e seletivo. O varejo físico apresentou crescimento nominal de 2,1%, ajudando a suavizar o resultado geral, enquanto o comércio eletrônico recuou 1,5%. O movimento indica maior peso das compras presenciais ligadas à reposição e à rotina.