
O mercado de alimentação fora do lar encerrou dezembro com crescimento nominal de 5,4% nas vendas em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Índice de Desempenho do Foodservice, o IDF, divulgado pelo Instituto Foodservice Brasil. O resultado confirma o fechamento positivo do ano em termos de faturamento, mas revela um cenário negativo quando os dados são ajustados pela inflação de alimentação fora do lar, que reduziu a queda real para -1,6%, evidenciando a pressão de preços sobre o consumo. O desempenho do mês reflete uma combinação entre aumento do ticket médio, maior fluxo típico do período e crescimento contínuo do delivery, ao mesmo tempo em que aponta limites para uma expansão mais consistente do volume.
A análise regional do IDF mostra que o crescimento foi relativamente disseminado em dezembro. O Sudeste liderou o resultado nominal, com alta de 5,9%, seguido pelo Nordeste, com 5,5%, e pelo Sul, que avançou 5,0%. Norte e Centro-Oeste também apresentaram variações positivas, de 4,4% e 2,6%, respectivamente, indicando que o setor manteve tração em diferentes mercados, ainda que em ritmos distintos. O comportamento das mesmas lojas reforça essa leitura, com crescimento nominal, mas desempenho mais contido no indicador real, sinalizando que parte relevante do avanço ainda está associada a repasses de preço.
O IDF também revela que o ticket médio continuou em trajetória de alta em dezembro, crescendo 2,1% na comparação anual e atingindo R$ 41,4, o que contribuiu diretamente para o resultado do faturamento. Em contrapartida, o número de transações apresentou queda na comparação com o ano anterior, tanto no total de lojas quanto nas mesmas lojas, reforçando a percepção de um consumidor mais cauteloso, que consome com menor frequência, mas gasta mais por visita. Esse movimento ajuda a explicar a diferença entre o crescimento nominal e o avanço real mais limitado no período.
Outro destaque do mês foi o desempenho do delivery, que manteve participação relevante no total das vendas e encerrou dezembro representando cerca de 22,8% do faturamento do setor. O canal registrou crescimento nominal de dois dígitos ao longo de 2025 e segue como um dos principais vetores de sustentação do foodservice, mesmo com sinais de estabilização em sua participação. O indicador sugere que o delivery deixou de ser apenas um motor de expansão acelerada e passou a ocupar um papel estrutural no modelo de negócios das redes.
No acumulado do ano, os dados do IDF indicam crescimento nominal de 5,0% no total das lojas, enquanto o resultado real permanece negativo, refletindo o impacto persistente da inflação sobre o consumo fora do lar ao longo de 2025. O fechamento de dezembro, portanto, reforça um cenário de resiliência do setor ao mesmo tempo em que evidencia os desafios para converter crescimento de faturamento em expansão efetiva de volume, especialmente em um ambiente de custos elevados e maior sensibilidade do consumidor a preços.