
Um homem de 28 anos foi preso na zona Sul de Porto Alegre suspeito de abusar sexualmente da filha, de 9 anos, e da enteada, de 12. Foragido do sistema prisional há três meses e com antecedentes por roubo, ele morava na residência com a companheira e cinco crianças.
O delegado Henrique da Cunha, responsável pela investigação, destacou a importância da cooperação da mãe e da avó das vítimas para viabilizar a prisão. Elas articularam uma estratégia para registrar a ocorrência sem alertar o investigado e ajudaram a viabilizar a prisão dele.
A primeira denúncia ocorreu no dia 19 de agosto, quando a avó acolheu a neta de 12 anos. Após dois dias de resistência devido ao medo e às ameaças do padrasto, a pré-adolescente revelou os abusos. A avó registrou a ocorrência no mesmo dia e, para proteger a menina, inventou um pretexto para mantê-la afastada do suspeito, sem que a mãe soubesse do fato naquele primeiro momento.
Dez dias depois, a menina de 9 anos contou à mãe que também sofria abusos cometidos pelo pai. Diante do relato, a mulher levou a filha até a avó, ainda sem saber da revelação feita pela mais velha. No sábado, sob a justificativa de que sairiam para comprar um bolo de aniversário, mãe e avó foram à delegacia e registraram o caso da segunda criança.
O casal mantinha um relacionamento há 12 anos, e o homem participava da criação de todas as crianças. Como ele continuava morando com as filhas menores, duas de 3 anos e uma de 1 ano e 6 meses, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva, deferida pela Justiça, além da concessão de medidas protetivas de urgência devido ao risco iminente.
A prisão
Na noite de domingo, a mãe das vítimas acionou a Brigada Militar e ajudou a viabilizar a captura. Ela criou uma situação para atrair o suspeito para fora da residência, pedindo que ele consertasse o portão do pátio por causa do cachorro da família.
Quando o homem saiu à rua, os policiais efetuaram a abordagem. Ele tentou fugir pelo pátio e entrou em luta corporal com a guarnição, mas foi contido e preso.
Ao ser preso, o investigado negou o estupro, mas, segundo o delegado, admitiu informalmente que “só passava a mão” nas vítimas. Não havia registros anteriores de violência contra as filhas. Conforme o delegado Henrique da Cunha, o suspeito utilizava táticas de intimidação comuns a esse tipo de crime para silenciar as vítimas:
“Ele dizia que a mãe delas poderia ser presa se contassem para alguém. A menina de 9 anos relatou que o pai justificava os atos dizendo que podia fazer aquilo porque era pai dela, que ele teria esse direito”, afirmou o delegado.
As meninas de 9 e 12 anos foram encaminhadas para atendimento psicológico e passaram por exames periciais. O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
Fonte: Camila Mendes / Correio do Povo


