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Superintendente da Polícia Penal e agente cedido ao MPRS utilizavam imóvel alugado com lucro ilícito, diz investigação

Gráfico do MPRS na investigação sobre Cassiano Uflacker – Foto: Arquivo Pessoal / Marcel Horowitz

O policial penal cedido ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Cassiano Uflacker Lutz de Castro, que está preso preventivamente por suspeita de lavagem de dinheiro, também é investigado por alugar um apartamento com lucro ilícito. Tal imóvel ainda era utilizado pelo superintendente da Polícia Penal, Sergio Ilha Dalcol, amigo dele, que não é investigado.

Para o MPRS, Sergio Dalcol é “pessoa vinculada a Cassiano”, pois ambos usavam o apartamento 501 do condomínio 1773, na avenida Benjamin Constant, em Porto Alegre. O aluguel do apartamento teria sido pago com valores de relógios, moedas e itens de ouro, supostamente furtados da família de Uflacker.

No total, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026, as despesas somaram R$ 207, 4 mil. Entretanto, o pagamento de R$ 82,6 mil ocorreu por transferências de pix, feitas por Adelanio Ruppenthal e Alexandre Weyh, apontados como operadores financeiros.

Ainda conforme o MPRS, Ruppenthal transferiu R$ 73,6 mil, em oito pagamentos. Já Weyh, fez pix de R$ 9 mil, através de outro homem, apontado como seu intermediário. O subordinado dele não é investigado.

Em nota, o superintendente da Polícia Penal reforça que não tem envolvimento com os delitos apurados e que já prestou esclarecimentos ao MPRS. Além disso, Sergio Dalcol diz que permanece à disposição das autoridades para contribuir com o andamento das investigações.

A reportagem também entrou em contato com a defesa dos suspeitos. Então, as manifestações podem ser lidas ao final da matéria.

Preso tem tratamento atípico

Ao chegar na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) 1, em 14 de setembro, Uflacker não precisou vestir uniforme, contrariando as normas da Polícia Penal. Com o passar do tempo, entretanto, acatou a vestimenta.

Igualmente, segue na triagem, junto aos presos trabalhadores e, portanto, divide cela com um destes. Em outras palavras, não usa algemas ao circular na unidade.

Há uma galeria onde estão os presos que são policiais, mas a gestão acredita que, ali, Uflacker correria riscos. Isso porque, como atua no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ele pode já ter trabalhado na prisão de algum agente que está no local.

Cassiano Uflacker Lutz de Castro está preso na Pecan 1 - Foto: Arquivo Pessoal / Marcel Horowitz
Cassiano Uflacker Lutz de Castro está preso na Pecan 1 – Foto: Arquivo Pessoal / Marcel Horowitz

Ademais, servidores monitoram a triagem, em expediente com horas extras. O fato é incomum, levando em conta o déficit de efetivo na Pecan.

Em nota, a Polícia Penal diz que os presos são submetidos a protocolos da legislação, considerando sua situação prisional e condições de preservação da integridade física e segurança da unidade. Ainda diz que procedimentos inadequados são apurados na Corregedoria-Geral e por órgãos externos competentes.

Amizade e ordens informais

O MPRS convocou Sergio Dalcol a prestar depoimento, como testemunha, no dia 18 de setembro. Isso porque a amizade da dupla incluía hospedagem de Dalcol, natural de Santa Maria, no apartamento alugado por Uflacker, em Porto Alegre.

Superintendente da Polícia Penal, Sergio Ilha Dalcol, deverá prestar depoimento como testemunha após prisão de agente - Foto: Rafa Marin/Polícia Penal / Redes Sociais
Superintendente da Polícia Penal depôs como testemunha após prisão de Uflacker – Foto: Rafa Marin/Polícia Penal

Além disso, uma ordem informal, supostamente vinda do Departamento de Segurança e Execução Penal (DSEP), proíbe buscas sobre Cassiano Uflacker nos sistemas de Informações Penitenciárias (Infopen) e Consultas Integradas (CSI). Logo, as consequências incluem penalização de servidores na Corregedoria.

Outrossim, a diretora da Pecan 1 é companheira do chefe do Grupo de Segurança Institucional (GSI), que faz a segurança do superintendente da Polícia Penal, Sergio Ilha Dalcol, que, por sua vez, seria amigo de Cassiano Uflacker.

Relembre o caso

Lotado no Gaeco, Cassiano Uflacker foi preso em ação dos colegas. Conforme a investigação, o policial penal teria furtado ouro de seu avô. Logo, também segundo apuração do MPRS, os valores podem ter sido ocultados via compra de bens.

O agente penal era, desde 11 de dezembro de 2023, assessor de segurança da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Institucionais do MPRS, o que inclui o Gaeco. Com renovação do serviço, em 29 de outubro de 2025, teve contrato estendido até 11 de novembro deste ano.

Imagem do policial penal Cassiano Uflacker Lutz de Castro em ação do Gaeco, no ano passado - Foto: MPRS
Imagem do policial penal Cassiano Uflacker Lutz de Castro em ação do Gaeco, no ano passado – Foto: MPRS

Uma denúncia contra o policial penal, apresentada na última sexta-feira (2), está sob análise da Justiça. As vítimas são os tios e o avô dele, que teriam sofrido furto de 17,5 quilos de ouro, além de relógios de luxo, com prejuízo estimado em R$ 8,87 milhões.

O que diz a defesa de Cassiano Uflacker

O advogado Brunno Ruschel de Lia Pires, à frente da defesa de Cassiano Uflacker Lutz de Castro, afirma ter dificuldades de acesso aos autos e garante a inocência do cliente. Ele adiciona que não há elementos de prova na acusação.

“Não há nenhum comprovante que embase a denúncia. Além disso, a estimativa de valores do MPRS não faz sentido”, diz Brunno de Lia Pires.

Lia Pires também critica a manutenção da prisão preventiva, alegando irregularidades. “Não há materialidade na prisão do Cassiano. Ele não tem antecedentes nem oferece riscos”, afirma Brunno de Lia Pires.

O advogado, igualmente, destaca que o policial penal é alvo de disputas na família. “Ele é vítima de briga por patrimônio familiar. Nada disso, então, envolve dinheiro público nem desvio de conduta do servidor. Vamos comprovar a inocência dele”, enfatiza.

O que diz a defesa de Adelanio Ruppenthal e Alexandre Weyh

A reportagem contatou o advogado Jader Marques, à frente da defesa de Adelanio Ruppenthal e Alexandre Weyh, mas ele estava em júri. Logo, o espaço permanece aberto e, assim que possível, sua manifestação também será publicada.

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Fonte: Marcel Horowitz / Rádio Guaíba

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