
A dificuldade para encontrar trabalhadores deixou de ser um tema restrito a setores específicos e passou a aparecer com mais frequência no discurso das empresas. Em um momento em que o mercado de trabalho segue aquecido e a economia opera com níveis mais elevados de ocupação, cresce a
preocupação com a disponibilidade de mão de obra. Para entender esse fenômeno, as empresas das bases das Sondagens Empresariais (Indústria de Transformação, Serviços, Comércio e Construção) do FGV IBRE foram consultadas sobre quesitos relacionados ao tema. O resultado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre).
Os quesitos foram aplicados pelo segundo ano consecutivo, sempre no último trimestre de cada ano, e buscavam captar três principais informações: a quantidade de empresas com dificuldade em contratar ou reter mão de obra; as medidas que as empresas tomaram sobre essa dificuldade; e quais foram as consequências para empresa dessa dificuldade. Inicialmente, as empresas responderam se estavam encontrando dificuldade em contratar ou reter colaboradores. Para 62,3% das empresas, essa era uma realidade presente ao final de 2025, 3,6 pontos percentuais acima do resultado de 2024.
Setorialmente, todos os principais setores registraram piora na passagem de 2024 para 2025, exceto a Indústria de Transformação, que reduziu o percentual de 60,2% para 52,3%. Em 2025, o setor com maior dificuldade seguia sendo a Construção, com 69,1% das empresas relatando dificuldade. Em seguida, os respondentes foram consultados sobre quais estratégias a empresa estaria adotando para superar essa dificuldade. Nesse quesito responderam apenas as empresas que afirmaram ter dificuldade no quesito anterior e podiam marcar mais de uma opção, por isso o resultado ultrapassa 100%. Os dois principais fatores não se alteraram na passagem de 2024 para 2025, mas o terceiro fator mudou, agora passou a ser “mudar processos para reduzir dependência de mão de obra”, que passou de 18,7% para 24,9% entre um ano e outro.
As empresas responderam, ainda, sobre como têm sido impactadas pelos problemas de contratação e/ou manutenção dos colaboradores. Novamente participaram somente as empresas que já tinham mencionado que estavam com dificuldades, e poderiam marcar mais de uma opção. O maior percentual continua sendo das empresas que não têm observado impacto na sua produção ou prestação de serviços, mas esse percentual caiu de um ano para o outro. Aumentar o número de horas trabalhadas aumentou e se consolidou como principal impacto, mas o segundo lugar mudou, passando de atraso de entregas para revendo preços de bens e serviços.