
Um prédio público, pertencente à Prefeitura de Porto Alegre, e que abrigava, até há oito meses, dezenas de mulheres e crianças desalojadas após as enchentes, é hoje o puro cenário do abandono. A antiga Casa Violeta, no bairro Rio Branco, em Porto Alegre, com capacidade de abrigar até 190 pessoas, foi aberta em maio de 2024, sendo reformada na ocasião a partir da estrutura da antiga Escola Estadual de Ensino Fundamental Roque Callage, que havia sido desativada.
O local amplo, com dois andares e diversas salas, outrora cheio de vida, sonhos e esperanças, chegou a receber doações de entidades como o Instituto Cultural Floresta (ICF) e o Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do Rio Grande do Sul (Sulpetro), tendo sido gerido pelo Instituto Survivor e Me Too Brasil, em parceria com a Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH). Entre as doações recebidas para o espaço, houve termômetros, oxímetros, nebulizadores, estetoscópios, cadeiras de rodas, medidores de pressão, macas, tatames, tapetes, lixeiras, garrafas térmicas, talheres e batedeiras, entre outros.
Fechado em maio de 2025, o espaço, hoje sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), vive desde então um estado permanente de deterioração. Atualmente, é tomado pelo lixo, móveis e equipamentos revirados, pedaços de vidro quebrado pelo chão, partes do teto em queda e a constante presença de pessoas em situação de rua, os únicos a se abrigarem no local. Vestígios de consumo de entorpecentes também estão presentes. O portão que havia à esquerda da entrada principal foi derrubado. A fiação elétrica, destruída.
Moradores também reclamam da falta de segurança e transeuntes circulando pelo local. Na ocasião das cheias, a Casa Violeta, chegou a receber personalidades, como a empresária, modelo e ativista da pauta das mulheres Luiza Brunet. Após fechado, o espaço teve sua gestão entregue à Prefeitura de Porto Alegre, que, procurada, afirma que toma “providências administrativas cabíveis para assegurar o uso adequado do espaço”. Menos de um ano depois de seu fechamento, a antiga casa já registrou ao menos sete detenções pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) e um número não especificado de prisões pela Brigada Militar (BM).
A Prefeitura acrescentou em sua manifestação que “acompanha a situação do local e atua para garantir a preservação do patrimônio público e a segurança da área”, enquanto o governo do Estado confirmou a devolução do imóvel para a Administração Municipal. Já o 9º Batalhão de Polícia Militar (9º BPM), responsável pela área, disse que registrou duas ocorrências de furto e arrombamento no prédio, acrescentando que mantém policiamento ostensivo e ações preventivas regulares na região.
Leia a nota completa do governo do Estado
O imóvel onde funcionava a extinta Escola Estadual Roque Callage foi formalmente devolvido à Prefeitura Municipal ainda no mês de novembro de 2025. A devolução ocorreu após a conclusão dos trâmites administrativos necessários, uma vez que a unidade escolar teve suas atividades encerradas, não havendo mais utilização do espaço pela rede estadual de ensino.
Leia a nota completa da Prefeitura
A Prefeitura de Porto Alegre informa que acompanha a situação do local e atua para garantir a preservação do patrimônio público e a segurança da área. Na última semana, a Guarda Civil Metropolitana deteve sete indivíduos, em três ocasiões, após registro de invasão no imóvel. As forças de segurança seguem monitorando a região, e as providências administrativas cabíveis estão em andamento para assegurar o uso adequado do espaço e evitar novas ocorrências.
Leia a nota completa do 9º Batalhão de Polícia Militar
NOTA OFICIAL
A Brigada Militar, por meio do 9º Batalhão de Polícia Militar, informa que, no período de 01 de julho de 2025 até a presente data, foram registradas 02 ocorrências de furto/arrombamento no endereço Casa Violeta, Rua Cabral, nº 621, ambas no mês de janeiro de 2026, com prisão dos autores.
No mesmo período, na Rua Cabral, foram registradas 03 ocorrências da mesma natureza, sendo 02 no endereço citado e 01 em julho de 2025, em estabelecimento comercial localizado a aproximadamente 400 metros do local.
A Brigada Militar mantém policiamento ostensivo e ações preventivas regulares na região, conforme o planejamento operacional e demandas da comunidade.
Brigada Militar
9º Batalhão de Polícia Militar
Comunicação Social
Fonte: Felipe Faleiro e Rodrigo Thiel / Correio do Povo