
O efetivo do Comando de Policiamento Metropolitano (CPM) da Brigada Militar prendeu 464 foragidos em Canoas, Nova Santa Rita, Sapucaia do Sul e Esteio no ano passado. Somado a isso, nenhum dos municípios registrou crimes contra a vida em dezembro, reduzindo em quase 50% o indicador.
A Região Metropolitana encerrou 2025 com mais de 254,2 mil abordagens. Estas resultaram na detenção de 310 procurados da Justiça, somente em Canoas, significando prisão de um criminoso a cada dois dias ali. O total ultrapassa uma recaptura diária nas quatro cidades.
No último mês, o CPM não registrou homicídios, feminicídios, latrocínios ou lesão corporal seguida de morte. Em relação a dezembro de 2024, a queda foi de 46,5% dos crimes desse tipo.
Já no somatório de 12 meses, mortes violentas diminuíram 50% em Nova Santa Rita e 16% em Esteio. Também houve redução de 45,8% e 62,5%, respectivamente, em Canoas e Sapucaia do Sul. As cifras estão abaixo do índice considerado epidêmico na Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização das Nações Unidas (ONU).
Dissuasão Focada
As forças policiais seguem um protocolo contra homicídios no Rio Grande do Sul. A atuação prevê transferência de presos, primeiro em âmbito estadual e depois ao sistema federal, asfixia financeira das facções, saturação de área, indiciamento de mandantes, apreensões pontuais, aumento de revistas em presídios e operações contra lavagem de dinheiro.
A ideia é reduzir crimes contra a vida por meio da repressão seletiva de pessoas, no caso, as responsáveis por ordenar assassinatos. Em outras palavras, influenciar os mandantes para que não provoquem mortes. Tem como base a teoria da dissuasão focada.
O criador da técnica foi o criminologista norte-americano David Kennedy, professor da Universidade de Nova York. Ele aplicou a teoria nos Estados Unidos, tendo como principal exemplo Boston, onde houve redução brusca de homicídios em meados dos anos 1990. Outro case de sucesso é a Colômbia, em 2024, quando Medellín alcançou o menor nível de violência dos últimos 40 anos.