
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, avaliou que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a vários países do mundo é uma resposta de Donald Trump a perda de competitividade norte-americana no cenário global. Para Rui Costa, os Estados Unidos estão ficando em segundo plano do ponto de vista de desenvolvimento tecnológico e crescimento da indústria e isso “incomoda” os norte-americanos.
“Os Estados Unidos sofre um processo de forte perda de competitividade no cenário global. Ele vem perdendo sistematicamente posições, emprego, relevância do ponto de vista da produção industrial da sua economia para outros países do mundo. A Ásia vem ocupando um lugar muito forte e, eu diria, colocando progressivamente os Estados Unidos em segundo plano do ponto de vista de desenvolvimento tecnológico e crescimento da indústria”, afirmou.
As declarações do ministro foram dadas nesta sexta-feira (15) em entrevista a uma rádio baiana. O ministro ainda observou que o novo formato de integração entre os países periféricos, chamado de Sul-Sul, “incomoda” os norte-americanos”.
“A relação do Brasil com a América do Sul, com a Ásia, com os Emirados Árabes, com a Europa, incomoda porque os Estados Unidos vão perdendo posição e prestígio econômico. [Por isso] acho que eles escolheram alguém para atacar mais fortemente, que é o Brasil”, ponderou.
O ministro pontuou que há muita circulação de desinformação na internet, o que dificulta para as pessoas saberem o que é verdade. “Hoje em dia a política virou, com o celular e a internet, a tentativa de construir uma narrativa diferente da vida real e dos fatos verdadeiros. Você repete tantas vezes no mundo digital ou na retórica notícias falsas que a população, o homem simples, a mulher simples, fica se perguntando o que é verdade. Hoje você disputa as narrativas com notícias absurdas.”
O ministro ainda acrescentou que o Brasil não tem que ficar “adulando” os Estados Unidos se o país não quer uma relação comercial e que o caminho é a diversificação econômica. “Se antes a relação de exportação do Brasil para os Estados Unidos era 26%, hoje são 12%, daqui a cinco anos pode chegar a 5%, 4%, 6%”, defendeu.
Traição ao Brasil
O ministro ainda classificou a atitude do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como uma traição ao país. “O filho de Bolsonaro virou um traidor, um judas. Traidor da nação e do país. Infelizmente, esse é o cenário que a gente vive, alguém que é deputado, foi eleito pelo povo, viaja para os Estados Unidos, prejudicando a economia nacional, os produtores agrícolas, a indústria”, afirmou.
Na avaliação de Rui Costa, a atitude está afastando o empresariado do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Acho que mais e mais eles vão acordando. E agora com essa traição da família Bolsonaro, muitos do setor do agro, que reverenciavam ele, estão caindo a ficha e vendo que realmente estavam apostando em um traidor. [Sinto] isso muito fortemente. Acho que as pessoas estão se tocando”, afirmou.
Fonte R7