
Foto : Jonas Pereira / Agência Senado
Um dia após amargar a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, em uma derrota histórica no plenário do Senado, o presidente Lula viu o veto ao projeto da Dosimetria ser derrubado pelo Congresso Nacional. Em nenhum dos dois casos a surpresa deveria ser um elemento presente no cenário.
O texto da Dosimetria, aprovado com folga em 2025, após meses de embates, foi uma alternativa construída à proposta da Anistia e que na época não agradou integralmente nem a gregos nem a troianos. A derrubada do veto integral de Lula ao texto era certa, especialmente após o presidente vetar a proposta, em um ato no Planalto, com pompa e circunstância, para marcar os três anos do 8 de janeiro, quando os prédios dos poderes da República foram invadidos e depredados, em Brasília.
A decisão política, simbólica e eleitoral de Lula contribuiu, já na época, para tensionar ainda mais o já conturbado ambiente instaurado no país, e deu mais fôlego à reação da oposição, que certamente viria. O evento, palco para o veto no Planalto, aliás, foi marcado por ausências simbólicas. Entre elas, a dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e da Câmara, Hugo Motta, (Republicanos), e também do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin. A derrubada do veto pelo Congresso pode não ser o último capítulo do episódio, já que o STF deve ser provocado a se manifestar.
Taline Oppitz / Correio do Povo