
Com o compromisso de expandir as escolas cívico-militares pelo Rio Grande do Sul, firmar parcerias públicas privadas (PPPs) e melhorar os indicadores de alfabetização na idade certa, Roni Miranda Vieira é o indicado pelo governador eleito Luciano Zucco (PL) para assumir a Secretaria Estadual de Educação (Seduc). Atual titular da pasta no Paraná (Seed-PR), participou de entrevista ao novo episódio do podcast Matriz, do Correio do Povo.
Miranda, que é professor concursado da rede paranaense, atua na Seed-PR desde 2019, ocupando a vaga de secretário nos últimos três anos. O futuro gestor da Seduc já havia comunicado que não daria sequência no trabalho mesmo que Sandro Alex (PSD), candidato de continuidade do atual governador, tivesse saído vitorioso. A eleição para o governo do Paraná foi definida em primeiro turno, com a vitória de Sérgio Moro (PL).
Vinda para o RS
A escolha pelo RS se dá pela relação com Zucco, com quem vem conversando desde o ano passado e coloca o estado como um novo desafio. “Você sai da sua zona de conforto, de onde está e vai para outro espaço, onde precisa entendê-lo, estudá-lo, entender a pessoas e tudo que foi construído ao longo desses anos”, comentou.
Os principais desafios pontuados por Miranda estão na melhoria dos indicadores de alfabetização na idade certa e na melhoria da condição das escolas. “Tem a questão da infraestrutura de algumas escolas, esse ponto de responsabilidade por cada etapa de ensino (entre município e estado) e melhorar a parte de alfabetização”, reforçou.
Modelo
A expansão de escolas no modelo cívico-militar, que foi uma das grandes bandeiras de Zucco no campo da educação durante a campanha, foi uma política presente durante a participação de Miranda no Paraná e deve ganhar espaço também no RS. “Às vezes, no imaginário das pessoas, imaginam que o estudante na escola militar fique marchando para cima e para baixo o dia todo, mas não é isso que acontece. O militar é da reserva, cuidando da entrada e da saída, da ordem no recreio, para que se tenha respeito, disciplina e foco”, comentou Miranda.
As PPPs são um situação parecida, tendo um projeto presente na campanha e uma das ações de Roni Miranda na gestão da educação paranaense. A modelagem, no entanto, é idealizada para construção e gestão de novas escolas, diferente da proposta do governador Eduardo Leite (PSD), que propõe conceder a gestão não-pedagógica das escolas para parceiros privados.
A proposta de Leite se assemelha ao projeto “Parceiro da Escola”, executado por Miranda enquanto secretário de educação do Paraná, mas que passou por atritos com o Tribunal de Contas (TCE-PR), indicando que a secretaria não havia apresentado estudos suficientes sobre a viabilidade técnica e econômica do projeto. No entanto, o secretário pontuou que “Temos outras dificuldades e outros desafios no Rio Grande do Sul”.
Uma medida com boa aceitação, mas com questões logísticas, a distribuição de uniformes escolares para a rede estadual começou em 2025. Apesar de ter críticas à escolha do incentivo pelos uniformes, Roni Miranda não tem perspectiva de suspender a distribuição. “O uniforme está posto. Eu não cheguei a conversar isso pessoalmente com o governador, mas minha visão, neste momento, é que uma vez um um direito dado não pode ser retirado”, indicou.
No entanto, o futuro secretário da educação do RS comenta que teria optado por auxiliar com materiais escolares, por considerar uma restrição maior na prática estudantil. “Eu atacaria o material escolar primeiro, porque é uma questão pedagógica, é de aprendizagem”, apontou.
Fonte: Correio do Povo

