
O presidente da Sulpetro, João Carlos Dal’Aqua, relaciona o problema da falta de diesel aos produtores rurais gaúchos nos últimos dias com a alta mundial do preço do petróleo devido à crise no Oriente Médio. O valor do barril encostou nos 120 dólares e paralisou o mercado de diesel importado no Brasil. “É uma crise mundial. O país importa muito diesel e está R$ 2 mais caro para trazer do que o preço que a Petrobras cobra aqui”, explica.
Segundo ele, a estatal prioriza a entrega de combustível para quem tem contrato. Portanto, falta para os demais consumidores. “Quem contrata acaba pagando mais caro, mas tem a garantia. Neste momento, não terá falta, mas terá restrição de mercado”, afirmou, avaliando que deve continuar a pressão nos preços.
A Petrobras informou que não houve qualquer alteração em relação às entregas de diesel por parte de suas refinarias e que elas estão ocorrendo conforme o planejado. “Especificamente em relação ao estado do Rio Grande do Sul, ratificamos que as entregas de diesel estão sendo realizadas dentro do volume programado”, afirmou por meio de nota.
Impactos das tensões no Oriente Médio
Diante do temor de que a Petrobras não repasse os preços internacionais dos derivados para o mercado interno, os importadores suspenderam as compras – uma vez que o preço a ser vendido aqui ficaria inviável -, informou o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sergio Araújo, à Agência Estado na semana passada. O diesel importado responde por cerca de 30% do mercado interno.
“Desde o início do conflito, não está chegando carga nova, o mercado está parado. O nosso diesel vem da Rússia e o problema é o preço, ninguém sabe se a Petrobras vai repassar esse aumento”, diz Araújo, prevendo que os estoques no Brasil garantem o abastecimento pelos próximos 15 dias.
Fonte: Karina Reif / Correio do Povo