
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda-feira, 22, um levantamento que reúne as principais demandas do setor para o próximo presidente do Brasil. Para 29% dos empresários industriais, a redução de impostos e a consolidação da reforma tributária são as principais urgências do setor para os próximos quatro anos. Na sequência, o equilíbrio fiscal e a melhoria da gestão pública foram citados por 22% dos entrevistados, seguidos por medidas de incentivo à indústria e à produção (21%).
A pesquisa também detalhou as prioridades por áreas de atuação:
- Empregos: 71% defendem a redução de impostos sobre a folha de pagamento;
- Saúde: 48% pedem o combate à corrupção e ao desvio de verbas;
- Segurança:45% citam o combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado;
- Economia: 42% apontam o controle dos gastos públicos e a redução de impostos;
- Educação: 38% focam na melhoria da capacitação dos professores.
Segundo o presidente da CNI, Ricardo Alban, os resultados reforçam a necessidade de coordenação entre as políticas fiscal e monetária para estimular o desenvolvimento.
“Quando a política fiscal e a política monetária não conversam entre si, as medidas para estimular o desenvolvimento produtivo se tornam menos efetivas. Precisamos de um Estado que escolha induzir o investimento produtivo, que planeje o desenvolvimento, fortaleça a produção e abra caminho para um Brasil mais próspero, inovador e de renda mais alta”, argumenta.
Outros desafios
O levantamento destaca que a agenda da indústria pede urgência no combate aos itens que compõem o “Custo Brasil”, conjunto de desafios burocráticos, estruturais e econômicos ligados ao ato de empreender no país. Para melhorar o ambiente de negócios, 45% dos industriais apontam a redução de impostos como solução prioritária, seguida pela redução de juros e oferta de crédito (26%) e incentivos à produção (21%).
Em relação à taxa de juros, 72% dos empresários acreditam que o corte de gastos para redução da dívida pública é a principal medida para permitir uma queda sustentável da Selic, a taxa básica de juros. Outras medidas citadas foram a autonomia do Banco Central (11%) e a ampliação da concorrência bancária (6%).
Impactos e investimentos
Os entrevistados também foram questionados sobre os fatores que causaram maior impacto negativo para a indústria no último ano. Segundo eles, os fatores que mais prejudicaram o setor foram a alta carga tributária (com nota 4,4 em uma escala de 1 a 5), a indisponibilidade de mão de obra (4,1) e os juros elevados (4,1).
Apesar dos desafios, as intenções de investimento para o ciclo 2027-2030 mostram estabilidade: 41% dos empresários pretendem manter o patamar atual e 28% planejam aumentar o volume de aportes. Por outro lado, 20% não pretendem investir no período e 9% esperam reduzir os investimentos.
Sugestões para presidenciáveis
Os resultados da pesquisa integram a mesa de discussão do evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, organizado pela CNI nesta segunda-feira (22). Confirmaram presença os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o pré-candidato Renan Santos (Missão) também receberam convites, mas não estarão presentes.
Os dados levantados pela pesquisa servem de base para o documento Construindo o Brasil 2050, que será entregue aos pré-candidatos à Presidência e compila recomendações e prioridades em áreas estratégicas para o fortalecimento da economia e competitividade da indústria brasileira. O documento engloba sugestões para áreas como agenda macroeconômica, cooperação internacional, infraestrutura de transportes, política industrial, sustentabilidade, sistema tributário e segurança jurídica.
(*) com R7


