
A Receita Federal bateu o recorde de arrecadação com impostos de importação em 2025, com um montante de R$ 5 bilhões. O valor foi bem mais alto do que o registrado em 2024, de R$ 3 bilhões, impulsionado principalmente pela cobrança, desde agosto, do imposto de 20% sobre produtos internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 263, em conversão direta) — a conhecida “taxa das blusinhas”.
Apesar de críticas iniciais de danos ao comércio local e redução das compras pela população por conta de preços maiores, Rodrigo Simões, economista e professor da Faculdade do Comércio, explica que houve um cenário contrário. Ele compara os montantes de compras internacionais de 2024 e 2025 e evidência um aumento de R$ 14 bilhões para R$ 18 bilhões entre os dois anos.
No entanto, ele explica que o perfil dos compradores mudou após a aplicação da alíquota, o que possibilitou um controle maior do governo, principalmente com importações antes consideradas suspeitas, como em um alto número de transações por CPF. Além disso, ele destaca que, com a medida, a indústria nacional viu o seu faturamento aumentar, sendo benéfico aos empresários locais.
“Nós temos que nos preocupar com a indústria nacional, dar condições para que tenha um bom ambiente de negócios, ter uma carga tributária adequada para que essas empresas sobrevivam, gerem empregos de qualidade, consigam pagar bem a sua folha de pagamento e o produto chegue mais em conta, mais barato, o possível para a população”, comenta Simões em entrevista ao Conexão Record News.