
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começa, na manhã desta terça-feira, 9, a última reunião deste ano com uma ampla expectativa de manutenção da Taxa Selic em 15% ao ano, apesar de expectativas de redução dadas pelo mercado. Na leitura da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), por exemplo, o comitê se apegará à tática de recuperação segura da economia em vez de arriscar.
Os dados apontam para sinais econômicos divergentes. Enquanto os juros altos já parecem estar produzindo o efeito desejado de esfriar a demanda, deixando o consumo das famílias praticamente estagnado, por outro lado, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre cresceu só 0,1% em comparação com o período anterior. Além disso, as projeções de inflação para este ano foram revisadas para 4,43% — dentro do limite máximo da meta (4,5%). No entanto, há indicadores ainda acendendo sinais de alerta.
“O Copom parece entender que baixar a Selic pode ser um movimento arriscado, como o aspecto fiscal: a política de gastos do governo se mostra cada vez mais expansionista, com a ampliação da isenção do Imposto de Renda (IR) aprovada e os descontos que devem injetar quase R$30 bilhões na economia. A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 também prevê aumento de despesas, reforçando a percepção de que a política fiscal segue na direção oposta à monetária”, revela um comunicado da entidade.
Outro tópico sensível é a inflação dos Serviços, que permanece pressionada. Mesmo com sinais de alívio nos preços de bens industrializados, o setor segue caro por causa do mercado de trabalho aquecido. Segundo a FecomercioSP, há um impasse que se intensifica: ainda que surjam sinais de desaceleração econômica, um corte apressado pode obrigar o comitê a elevar os juros novamente no futuro próximo, prejudicando a credibilidade da entidade. Por outro lado, manter a Selic elevada implica, de fato, custos ao crescimento e ao emprego — ainda que fortaleça a garantia de que a inflação não voltará a subir.
Diante do cenário complexo, o mais indicado, para a Federação, é fazer a prudência prevalecer. “O BC precisa do compromisso mais claro do governo no campo fiscal e quanto ao setor de Serviços. Sendo assim, esperar mais um pouco é a garantia de que, quando os cortes vierem, serão sustentados sem recuos desnecessários”, aponta a entidade.