
Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram, pouco após às 12h, um dos momentos mais tensos da sessão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) que avalia, nesta terça, 15, se abre investigação sobre as relações de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. “Quem tem medo da Polícia Federal? Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a PF e exigiu que colocasse um colega na delação premiada? E vamos trazer aqui testemunhas que eu vou indicar. Eu tenho testemunhas que o ministro André disse…” falou Moraes, sendo interrompido sucessivas vezes por Mendonça, que repetia “é mentira, mentira, é mentira, pode chamar, vão mentir”.
O embate é uma referência à defesa de Moraes, apresentada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, na noite de segunda-feira, poucas horas antes do início da sessão. Pesam sobre ele as suspeitas de que tenha atuado para favorecer Vorcaro, controlador do Banco Master, e acusado de ser o idealizador da maior fraude financeira da história do país, investigada na Operação Compliance.
A manifestação de Moraes na sessão fazia referência direta a um dos trechos mais fortes da sua defesa, dividida em 121 tópicos, expostos em 44 páginas.Nela, o ministro nega com veemência que tenha de alguma forma favorecido Vorcaro, ou participado do vazamento de informações, destacando, em diferentes trechos, que a prisão do banqueiro foi exitosa. Afirma que nunca existiram mensagens suas para Vorcaro e que os diálogos atribuídos a ele com o banqueiro são “fantasiosos”.
Moraes refuta a confecção de mais de um contrato entre o Master e o escritório de advocacia de sua família. Diz que não foram localizadas nas conversas de whatswapp comunicações suas com o banqueiro. Que não há qualquer indício de que tivesse conhecimento prévio da decisão da Justiça Federal de 1ª instância que determinou a Operação Compliance, que tenha entrado em contato com autoridades sobre o assunto ou vazado informações. Completa que não conhece o juiz federal que proferiu a decisão (sobre a prisão de Vorcaro) ou o procurador da República que atuou no caso, e que é “criminoso” afirmar que teria conhecimento da decisão, vazado a mesma e influenciado ou coagido autoridades.
Mas, além de todas as negativas, Moraes faz sérias acusações ao ministro André Mendonça, relator dos processos do Master no STF, e que foi quem determinou à Polícia Federal (PF) a investigação sobre o colega. Começa argumentando que a investigação foi ilegal e é nula por não ter havido pedido da Procuradoria-geral da República ou autorização do Plenário do Tribunal. Insiste em que houve quebra na cadeia de custódia das provas apreendidas, cita falta de segurança em relação a acervos apreendidos e argumenta que materiais foram encaminhados ao gabinete do relator sem a observância dos procedimentos de segurança.
Também acusa Mendonça de oferecer benefícios não previstos em lei em negociações de delações premiadas referentes às operações Sem Desconto e Compliance Zero. Mais do que isso, aponta que metadados do relatório da PF que trata especificamente de suas relações com Vorcaro, e que constam na Petição 16.662, indicariam que o documento não foi produzido integralmente na PF, mas sim com auxílio de órgão externo. “Provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o Juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um Golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito.”
O ministro argumenta que os vazamentos tentam incriminar, além dele, também o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, para favorecer um determinado grupo político e controlar a pauta do Senado, “de forma a avançar sobre o processamento de processos de impeachment dos ministros.”
Ao final, Moraes promete justamente solicitar a Fachin a intimação de testemunhas que teriam presenciado, em diferentes reuniões, pedidos de Mendonça para que a PF solicitasse medidas contra ele, além de tentar incluí-lo, e a Alcolumbre, em negociações de colaboração premiada.
Fonte: Correio do Povo / Flavia Bemfica

