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Quatro vão a júri por assassinato de cabeleireira que já havia sido alvo de atentado em Tramandaí; relembre o caso

Juiz Gilberto Pinto Fontoura fez a leitura da sentença | Foto: Juliano Verardi/TJRS/CP

Quatro acusados pelo assassinato da cabeleireira Návia Regina Christan, 46 anos, serão julgados a partir de quinta-feira, em Tramandaí, no Litoral Norte. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), os mesmos mandantes que encomendaram uma tentativa de homicídio contra Návia em 2017, que deixou-a cega de um olho, também determinaram a execução da vítima pouco mais de um ano depois.

De acordo com o MPRS, os crimes tiveram a mesma motivação. A irmã e o cunhado acreditavam que Návia estaria causando prejuízos financeiros à irmã, que também era cabeleireira.

A irmã, o cunhado e a mulher que intermediou a contratação foram condenados pelo Tribunal do Júri pela tentativa de homicídio, em março de 2025. Os dois homens apontados como executores do crime de 2018 também foram julgados e condenados.

Agora, os mandantes e a intermediária voltam a ser julgados, desta vez pela participação no planejamento e na contratação dos executores do assassinato de Návia. Além deles, o atirador também será julgado.

O júri está previsto para durar dois dias, com continuidade na sexta-feira. A acusação sustenta as qualificadoras de motivo fútil, promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme a participação atribuída a cada réu.

Primeira tentativa

O primeiro ataque ocorreu em 26 de outubro de 2017. A irmã da vítima e o cunhado, contrataram uma mulher para encontrar um executor. No dia do crime, um homem entrou na casa de Návia e atirou três vezes, mas a arma falhou.

Logo depois, efetuou mais um disparo que atingiu a cabeça da mulher. Enquanto o criminoso fugiu, ela foi socorrida e encaminhada para hospital. A cabeleireira sobreviveu, mas ficou cega de um olho.

Além da irmã e do cunhado, apontados como mandantes, uma mulher responsável por intermediar a contratação e o atirador foram condenados pelo crime em um plenário de dois dias, em março de 2025. Sobre a tentativa de homicídio triplamente qualificada, julgada agora, a irmã da vítima recebeu uma pena de 18 anos de prisão e o cunhado de 16 anos de reclusão. A mulher que contratou o executor foi condenada a 11 anos, dez meses e sete dias de prisão e o atirador a 17 anos, nove meses e dez dias de reclusão.

Nova tentativa foi fatal

Em 2018, os mesmos mandantes, segundo o MPRS, voltaram a acionar a intermediária. Ela fez contatos e chegou a dois executores, que não haviam participado da tentativa anterior. No dia 5 de novembro do mesmo ano, um deles entrou no salão de beleza de Návia se passando por cliente e a matou com três tiros.

Agora, quatro acusados de participação no planejamento, na articulação e na contratação dos responsáveis pela execução serão julgados. Eles respondem por homicídio qualificado, com as qualificadoras de motivo fútil, promessa de recompensa e recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme a participação atribuída a cada um.

Julgamento

O julgamento começa às 9h de quinta-feira e tem previsão de durar dois dias, com continuidade na sexta-feira. A acusação será conduzida pelos promotores de Justiça André Tarouco, de Tramandaí, e Aline Baldissera, designada pelo Núcleo de Apoio ao Júri do MPRS.

O júri estava inicialmente marcado para julho, mas foi remarcado após as defesas de dois acusados pedirem o desmembramento do processo. A Justiça negou o pedido e manteve o julgamento conjunto, considerando que as condutas atribuídas aos réus estão relacionadas.

Fonte: Camila Mendes/Correio do Povo

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