
A cúpula do PT gaúcho definiu, em reunião no final da tarde desta sexta-feira, 28, que o deputado federal Paulo Pimenta será seu pré-candidato ao Senado nas eleições de 2026. O parlamentar disputava a indicação partidária com o senador Paulo Paim. No início de 2027, Paim vai encerrar seu terceiro mandato.
Pimenta será apresentado formalmente no encontro que o partido realizará no próximo domingo, 30, para confirmar seus pré-candidatos na chapa majoritária. A vaga para o governo do Estado ficou com o presidente da Conab, Edegar Pretto. E a outra do Senado é da ex-deputada Manuela D’Ávila, que vai se filiar ao PSol daqui a poucos dias. Está em discussão agora a definição do vice. A aliança das federações PT/PCdoB/PV e PSol/Rede já foi acertada.
A definição desta sexta, às vésperas do evento partidário, teve por objetivo estancar o desgaste que a disputa vinha gerando internamente entre diferentes alas do partido. Representantes de correntes distintas apontavam que a falta de uma decisão travava os trabalhos das pré-candidaturas nas proporcionais, ou seja, as de deputados federais e estaduais.
Isto porque a saída de Pimenta da nominata para a Câmara dos Deputados abre espaço para que pelo menos dois deputados estaduais se lancem para federal e, consequentemente, vereadores e outros apadrinhados do deputado se apresentem para a Assembleia. A movimentação do grupo de Pimenta afeta também a de outras alas, que agora podem refazer cálculos e estratégias.
Além do “prejuízo” às proporcionais, lideranças petistas consideravam que a demora estava respingando na pré-campanha de Pretto ao governo, dificultando a realização de agendas casadas e até mesmo a consolidação de alianças.
Impasse
Em novembro do ano passado, Paim havia anunciado que não disputaria um quarto mandato. A partir da decisão, Pimenta começou a colocar a campanha na rua. Mas, a partir de julho, criou-se um impasse. Naquele mês, sob a justificativa de “forte apelo” da militância, o senador intensificou a presença nas redes e as agendas no Estado, articulando uma nova indicação.
Após reuniões com os comandos nacional e estadual da legenda, o PT assegurou a Paim que ele tinha prioridade na indicação, mas que precisava deixar claro seu desejo de concorrer e Pimenta recuou. No final de outubro, durante encontro da sigla em Porto Alegre, o deputado assinalou que não participaria de disputa interna pela vaga.
O partido passou a tratar Paim como o candidato, e ele seguiu incentivando os movimentos em prol de sua indicação. Mas não formalizou expressamente sua intenção de concorrer, como era aguardado. Ao invés disso, em entrevistas e reuniões, sinalizou que aguardava por uma iniciativa do partido e falava na necessidade de união.
Nesta sexta, quando se manifestou, o senador anunciou que não concorreria, e falou sobre questões relacionadas a sua saúde.
Fonte: Flávia Bemfica / Correio do Povo