
Uma carta assinada pela deputada estadual Luciana Genro (PSol) agitou os grupos internos do partido no fim de semana passado. Em documento, Luciana defende um apoio crítico do partido à chapa liderada por Juliana Brizola (PDT) em aliança com o PT. A iniciativa é um forte indicativo de que o PSol, apesar das recusas prévias, deverá ingressar na coligação com a ex-deputada Manuela d’Ávila (PSol) como candidata a uma vaga no Senado, mantendo o acordo feito com os petistas.
Apesar disso, tanto Luciana quanto o vereador da capital Roberto Robaina, que tem comandado esse processo, afirmaram que a carta não é uma decisão fechada e que a escolha deverá partir de um processo de debate com a militância, através das plenárias e da reunião do diretório. “No PSol se respeita a democracia”, disse Luciana, que estima umas duas semanas para que se completem todas as discussões.
A frase pode ser entendida como uma indireta ao PT. O diretório estadual petista viu a sua escolha de lançar o Edegar Pretto ao governo do Estado frustrada em função de uma intervenção da nacional que exigiu a parceria com o PDT – com Juliana na cabeça de chapa – a fim de garantir um palanque único para o presidente Lula no Rio Grande do Sul.
Ainda assim, em documento, a deputada alerta para “uma possibilidade real” de um segundo turno entre a extrema-direita, neste caso o deputado federal Luciano Zucco (PL), e o neoliberalismo, representado pela chapa do vice-governador Gabriel Souza (MDB). “O PSol com candidatura própria no RS poderia ser o responsável por esse segundo turno desastroso. Ao meu ver, mesmo com o PSol dando voto a Juliana esse risco é grande”, escreve Luciana.
Ela argumenta, também, a importância de eleger Manuela, alegando um possível favorecimento do deputado federal e candidato ao Senado pelo PT, Paulo Pimenta, com a saída da ex-deputada da disputa. “Teríamos o cenário do Senado com Pimenta se beneficiando da decisão do PSol de sair da chapa. E a principal força dentro do PT gaúcho que atuou pelo fim da candidatura do Edegar e pela aliança com o PDT foi justamente o grupo do Pimenta”, diz.
A opinião de Luciana é, em partes, defendida por outras lideranças do partido. Matheus Gomes, deputado estadual do PSol que integra uma corrente interna diferente da deputada, também salientou a importância do buscar uma cadeira no Senado, com Manuela, e a relevância desse feito para a projeção do PSol.
Já Robaina afirmou que não está se posicionando sobre o assunto nos últimos dias para não prejudicar o debate, mas salientou o temor de que Zucco ganhe as eleições em outubro e a importância de aumentar as bancadas do partido no Legislativo, tanto na Câmara dos Deputados quanto na Assembleia gaúcha.
Já a corrente interna Fortalecer PSol classifica a aliança entre PT e PDT como uma “intervenção à direita”, defendendo que a partido lance a candidatura própria ao governo do Estado.
Fone: Flávia Simões / Correio do Povo