
Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, foi preso na manhã esta quinta-feira durante a nova fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). A mais recente etapa da ofensiva investiga o núcleo político das ilegalidades relacionadas ao Banco Master. Segundo informações da rede de notícias CNN, a detenção ocorreu em Minas Gerais.
Além de Felipe Cançado, outro alvo da nova ofensiva da PF é o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar tem contra si um mandado de busca e apreensão, que foi cumprido no Piauí. Informações preliminares indicam que os agentes atuam somente no estado, não em Brasília, onde o político tem gabinete.
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
Como revelou o Estadão, a PF tinha encontrado no celular de Vorcaro diálogos com o senador e ordens de pagamento do banqueiro para uma pessoa de nome Ciro, citado sem sobrenome. Na época, o senador disse conhecer Vorcaro, mas afirmou não ter proximidade e negou ter recebido pagamentos.
“Grande amigo de vida”
A Polícia Federal encontrou mensagens no celular de Vorcaro nas quais ele se refere ao senador como um “grande amigo de vida” e comemora uma iniciativa legislativa de Ciro que beneficiava o Master.
A data da mensagem de comemoração ao que chamou de “bomba atômica no mercado financeiro”, 13 de agosto de 2024, coincide com a da emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de autonomia financeira do Banco Central, apresentada por Ciro Nogueira, para aumentar o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão.
A proposta foi identificada por políticos e integrantes do mercado financeiro como uma das primeiras “digitais” de favorecimento ao Master no Congresso.
A cobertura do FGC era uma das principais estratégias do Banco Master para alavancar os investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs),como mostrou o Estadão em agosto do ano passado.
Essa é a quinta fase da operação e foi deflagrada na mesma semana em que a defesa do banqueiro entregou à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada, ainda sob análise dos investigadores. A nova fase não tem relação com os fatos apresentados na proposta de delação, que no estágio atual não possui valor probatório.