
Em 2026, a primeira vitória do Rio Grande do Sul no Miss Brasil completa 70 anos. O marco remete a 1956, quando Maria José Cardoso conquistou o título nacional representando Porto Alegre. Embora fosse natural de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, ela entrou para a história como a primeira representante do Estado a trazer a faixa e a coroa para o Sul do País.
Naquele ano, a disputa foi realizada no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, no Rio de Janeiro, então um dos palcos mais simbólicos dos grandes eventos nacionais. Maria José venceu em uma edição marcada por concorrentes fortes e por grande atenção da imprensa. O segundo lugar ficou com Regina Maura Vieira, representante de São Paulo, e o terceiro com Leda Brandão Rau, do Distrito Federal.
A vitória abriu caminho para a presença definitiva do Rio Grande do Sul no mapa dos concursos de beleza. Em 1954, no primeiro Miss Brasil da fase moderna, vencido por Martha Rocha, o Estado não participou. No ano seguinte, em 1955, a representante gaúcha Rosa Lúcia Alamon não avançou ao grupo final. Por isso, a conquista de Maria José, em 1956, foi mais do que a primeira coroa: foi o divisor de águas que colocou o RS no radar nacional da competição.
Depois de vencer o Miss Brasil, Maria José representou o país no Miss Universo 1956, realizado em Long Beach, na Califórnia, nos Estados Unidos. Na disputa internacional, ela se classificou entre as 15 semifinalistas. O desempenho reforçou o alcance da coroa conquistada pelo Rio Grande do Sul e ajudou a projetar a representante brasileira fora do país.
Apesar de ter nascido em Santa Catarina, Maria José foi criada em Porto Alegre e adotada pelo público gaúcho como uma representante do Estado. A crônica da época costumava destacar essa dupla identidade, entre a origem catarinense e a vida construída no Rio Grande do Sul. O detalhe, longe de diminuir o feito, ajuda a mostrar como os concursos também eram atravessados por pertencimento, memória e representação regional.
Um Estado de coroas
A conquista de Maria José Cardoso abriu uma trajetória de protagonismo gaúcho nos concursos de beleza. Desde então, o Rio Grande do Sul se consolidou como o Estado com mais títulos nacionais no Miss Brasil, somando 15 coroas. A marca isola o RS como o maior vencedor do país, à frente de Minas Gerais, segundo colocado, com nove títulos, e de São Paulo e Rio de Janeiro, ambos com oito.
A lista gaúcha inclui nomes que marcaram diferentes gerações, como Iêda Maria Vargas, Deise Nunes, Renata Fan, Julia Gama e Maria Brechane. Cada uma, a seu tempo, ajudou a construir a imagem do Rio Grande do Sul como uma das principais forças do concurso nacional.
Depois de Maria José Cardoso, outro capítulo histórico veio em 1963, com Iêda Maria Vargas. A porto-alegrense venceu o Miss Brasil e, no mesmo ano, tornou-se a primeira brasileira coroada Miss Universo. O feito colocou o Rio Grande do Sul no centro da história internacional dos concursos e segue como uma das passagens mais lembradas da presença brasileira no Miss Universo.
A força do Estado também passou por transformações simbólicas importantes. Em 1986, Deise Nunes fez história ao se tornar a primeira mulher negra a vencer o Miss Brasil e representar o país no Miss Universo, onde ficou entre as semifinalistas. Décadas depois, o RS voltou ao topo com nomes como Julia Gama, eleita Miss Brasil 2020, e Maria Brechane, de Rio Grande, vencedora nacional em 2023.
Tradição em nova fase
Setenta anos após a primeira coroa, o Miss Universe Brasil chega a 2026 em uma edição marcada por mudanças no formato. A final nacional está marcada para 25 de julho e terá 33 candidatas, reunindo representantes estaduais e também misses de rotas turísticas brasileiras. O Rio Grande do Sul será representado por Júlia Guerra, quiropraxista de Soledade, eleita Miss Universe Rio Grande do Sul.
Júlia foi escolhida para levar a faixa gaúcha à etapa nacional em um momento de transição e reposicionamento do concurso. Aos 35 anos, ela chega ao Miss Universe Brasil com uma trajetória ligada à saúde, ao bem-estar e à comunicação. Quiropraxista, a candidata também tem usado sua visibilidade para falar sobre causas sociais e sobre a evolução do papel da mulher nos concursos de beleza. Em entrevistas ao Correio do Povo, Júlia afirmou que vê a participação no Miss Universe Brasil como uma forma de honrar quem veio antes e abrir caminho para outras mulheres.
A presença gaúcha em 2026 também aparece entre as rotas turísticas, com Giovanna Togni, 24 anos, representando o Vale dos Vinhedos. Cirurgiã-dentista, natural de Santa Maria, ela representa o Vale dos Vinhedos, uma das regiões mais conhecidas da Serra gaúcha pela cultura do vinho, pela gastronomia e pela herança da imigração italiana. Sua presença amplia a participação gaúcha no concurso e reforça a nova proposta do Miss Universe Brasil, que passou a aproximar beleza, território, turismo e identidade regional.
Júlia foi escolhida para levar a faixa gaúcha à etapa nacional em um momento de transição e reposicionamento do concurso. Aos 35 anos, ela chega ao Miss Universe Brasil com uma trajetória ligada à saúde, ao bem-estar e à comunicação. Quiropraxista, a candidata também tem usado sua visibilidade para falar sobre causas sociais e sobre a evolução do papel da mulher nos concursos de beleza. Em entrevistas ao Correio do Povo, Júlia afirmou que vê a participação no Miss Universe Brasil como uma forma de honrar quem veio antes e abrir caminho para outras mulheres.
A presença gaúcha em 2026 também aparece entre as rotas turísticas, com Giovanna Togni, 24 anos, representando o Vale dos Vinhedos. Cirurgiã-dentista, natural de Santa Maria, ela representa o Vale dos Vinhedos, uma das regiões mais conhecidas da Serra gaúcha pela cultura do vinho, pela gastronomia e pela herança da imigração italiana. Sua presença amplia a participação gaúcha no concurso e reforça a nova proposta do Miss Universe Brasil, que passou a aproximar beleza, território, turismo e identidade regional.
Fonte: Correio do Povo


