A decisão da atriz australiana Nicole Kidman de se tornar uma “doula do fim da vida” após a morte da mãe reacendeu um debate mundial sobre cuidado, acolhimento e humanização no processo de morrer. Em declaração recente, a atriz afirmou que sentiu falta de uma presença preparada emocionalmente para auxiliar a família durante os últimos momentos da mãe, Janelle Kidman, falecida em 2024, aos 84 anos.
Pois no Rio Grande do Sul, a Faculdade Factum vai oferecer a primeira certificação acadêmica em Doulas de Fim de Vida da América Latina reconhecida por uma instituição de ensino superior e regulamentada pelo MEC. O curso será realizado em parceria com a amorTser e terá início na segunda semana de julho. Ao todo, serão disponibilizadas apenas 30 vagas para a formação, que terá duração de seis meses e certificação acadêmica emitida pela Faculdade Factum.
A formação ocorre em um momento em que cresce globalmente a busca por profissionais voltados ao acompanhamento emocional, social e espiritual de pessoas em terminalidade, especialmente diante do envelhecimento acelerado da população. No Rio Grande do Sul, por exemplo, dados mostram que o Estado já possui uma das populações mais envelhecidas do país, com aumento significativo da demanda por cuidados paliativos e serviços ligados ao envelhecimento. O Rio Grande do Sul lidera indicadores de envelhecimento populacional no Brasil, cenário que pressiona os sistemas de saúde e amplia a necessidade de novas formas de cuidado humanizado.
A proposta da certificação acadêmica em Doulas de Fim de Vida é preparar profissionais e interessados para atuar no acompanhamento ao fim da vida, oferecendo suporte emocional, social e espiritual a pacientes e familiares, sem envolver procedimentos clínicos.
Diferentemente de médicos e enfermeiros, as doulas de fim de vida trabalham principalmente com escuta, acolhimento, apoio ao luto e mediação de diálogos delicados em momentos de terminalidade.
O curso pode ser realizado por qualquer pessoa interessada na temática, incluindo profissionais da saúde, cuidadores e pessoas que desejam atuar na área com embasamento técnico e formação institucional.
O conteúdo aborda temas como cuidados paliativos, tanatologia, espiritualidade, diretivas antecipadas de vontade, comunicação em situações de terminalidade, rituais de despedida e autocuidado do profissional.
A formação também surge em meio ao crescimento das discussões sobre cuidados paliativos no Brasil. Hoje, o país ainda enfrenta déficit de profissionais especializados no acompanhamento humanizado de pacientes em fase final de vida, realidade que tende a se intensificar nas próximas décadas com o aumento da expectativa de vida da população.
Além do pioneirismo acadêmico, a iniciativa já nasce respaldada pela experiência acumulada do coletivo amorTser, que desde 2018 já formou mais de 450 doulas em 15 estados brasileiros e em outros países da América Latina.
Para a Factum, o projeto representa um avanço importante na ampliação das discussões sobre saúde integral e cuidado humanizado.
“A sociedade está começando a compreender que o cuidado também envolve acolhimento emocional, escuta e dignidade no processo de morrer. Essa formação nasce justamente para preparar pessoas capazes de oferecer presença, apoio e humanidade em um dos momentos mais delicados da vida”, destaca Bárbara Nissola.
As inscrições já estão abertas e a expectativa é de alta procura, especialmente pelo caráter inédito da formação e pelo crescimento das discussões sobre envelhecimento, terminalidade e saúde emocional no país.
Considerado um projeto inovador e pioneiro no Brasil, o curso será realizado em um fim de semana por mês, aliado a estágio supervisionado presencial na cidade do aluno.…


