
Os preços de medicamentos comercializados entre fornecedores e hospitais brasileiros registraram queda de 0,70% em janeiro de 2026, segundo o Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), desenvolvido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com dados transacionais da Bionexo. O resultado aprofunda a tendência observada em dezembro de 2025, quando o índice havia recuado 0,01%. No acumulado dos 12 meses encerrados em janeiro, o IPM-H passou a registrar queda de 0,98%, com retração em nove dos doze grupos terapêuticos analisados. Apesar da acomodação recente, a série histórica indica que, desde 2015, o índice acumula alta de 45,5%, evidenciando a pressão estrutural de custos no mercado de medicamentos hospitalares.
Para Rodrigo Romero, Vice-presidente de Negócios da Bionexo, “o IPM-H indica um movimento de acomodação de preços após um período prolongado de pressão sobre os custos hospitalares. Ainda assim, a série histórica mostra que a gestão baseada em planejamento e dados segue sendo essencial para a sustentabilidade das instituições de saúde”.
No mesmo período, indicadores de referência da economia apresentaram comportamento distinto: o IGP-M/FGV registrou alta de 0,41%, enquanto o IPCA apontou avanço de 0,33%. Dados do Banco Central do Brasil indicam ainda que janeiro foi marcado por uma apreciação de 2,11% do real frente ao dólar, fator que contribuiu para a redução de pressões de custo sobre produtos importados e insumos externos.
Na avaliação de Bruno Oliva, economista e pesquisador da Fipe, o resultado reflete um fenômeno econômico mais amplo. “A queda do IPM-H em janeiro reforça um movimento mais abrangente de acomodação e correção de preços na economia brasileira, influenciado por fatores conjunturais, como a taxa de câmbio mais favorável. No setor de saúde, esse efeito é relevante em medicamentos de alto valor agregado, como imunoterápicos e antineoplásicos, que têm peso significativo na cesta de compras dos hospitais.”
A retração mensal foi disseminada entre a maioria dos grupos terapêuticos, com destaque para:
Sistema nervoso: -0,42%
Sistema musculoesquelético: -2,05%
Aparelho digestivo e metabolismo: -1,76%
Agentes antineoplásicos: -0,91%
Imunoterápicos, vacinas e antialérgicos: -0,62%
Sangue e órgãos hematopoiéticos: -0,52%
Órgãos sensitivos: -0,49%
Aparelho cardiovascular: -0,45%